É no ônibus
que as pessoas com deficiências sentem-se mais discriminadas. Como
se não bastassem a humilhação e a dificuldade para a obtenção do
passe livre – já denunciado pelo Ministério Público Estadual, elas
convivem diariamente com preconceito e falta de informações de
rodoviários e também dos demais usuários do sistema de transporte
público. Medidas simples, como parar no mesmo nível do passeio ou
cuidado e atenção para fixar os cintos de segurança na cadeira de
rodas, contribuem para tornar o transporte mais cidadão. Na sala
de aula, 30 rodoviários conheceram ontem formas de lidar com o
passageiro deficiente. O dia foi de passar a limpo comportamentos
e de aprender sobre a diferença do outro. O cobrador Valdemir Luz,
38 anos, sentou-se para ouvir como poderia tornar a viagem de
pessoas deficientes mais confortável e agradável. “O quê mais
dificulta é o passageiro intransigente que viaja na plataforma dos
ônibus adaptados”, afirmou Luz, que aprendeu que a bengala branca
é o instrumento para identificar e localizar caminhos para os
cegos. A socióloga Melissa Bahia, 28 anos, cega desde os 15,
integra a equipe da Gestarh Consultoria, responsável pelo
treinamento. Aproximar os dois universos foi a iniciativa da
Coordenadoria Municipal de Apoio à pessoa com Deficiência (Coap),
em parceria com a Comissão Civil de Acessibilidade de Salvador
(Cocas). “São dicas e orientações sobre como atender o usuário com
deficiência, como conduzir, mostrar a cadeirante vazia, indicar
ponto e como abordar”, explicou Melissa, autora do livro
Responsabilidade social e diversidade nas organizações:
Contratando pessoas com deficiência. Segundo ela, no caso do
deficiente visual, é comum que o motorista esqueça de avisar da
chegada do ponto de descida. “Há ainda o hábito de falar sem dar
noções claras de direção”, pontuou Melissa. Cada uma das
deficiências teve um bloco de explicações e orientações. No caso
dos deficientes auditivos, os rodoviários da empresa Ondina
aprenderam que devem falar olhando, de maneira clara, para que a
pessoa possa fazer a leitura labial, e não precisa gritar. Já com
pessoas com deficiência mental, o tratamento deve ser cordial,
respeitando a idade, seja criança, adulto ou idoso.
“Para cada uma das deficiências, os rodoviários recebem
orientações específicas. Eles estão recebendo ainda uma cartilha
Estação Cidadania. Nossa intenção com o treinamento e a
distribuição do material é atingir a sociedade e fazer de cada
cidadão um multiplicador”, explicou a cadeirante Rosana Lago,
voluntária do Cocas e da Associação de Pessoas com Paralisia
Cerebral na Bahia. Rodoviários da empresa BTU também participaram
das oficinas “Como lidar com pessoas com deficiência em ônibus”.
Fonte:Correio da Bahia