O setor imobiliário vem crescendo junto com o crédito disponível
para os brasileiros. Tijolo por tijolo, parcela por parcela, os
consumidores caminham juntos com as construtoras e já planejam e
executam o projeto de aquisição do imóvel próprio com cada vez
mais freqüência. É verdade que o boom imobiliário que o país vive
tem uma grande parcela de responsabilidade pelo aumento da
demanda. O resto é com o Marketing mesmo.
Com tantas ofertas, como fazer o inquilino optar pelo
financiamento de uma ou outra construtora? Com ou sem argamassa, o
Marketing das empresas precisa construir um relacionamento forte e
confiável para fazer com que o consumidor encaixe a chave na
maçaneta do prédio que ela construiu.
Seja na planta ou na apresentação do apartamento – ou casa -, o
que o cliente quer é se encantar com a proposta. E esta proposta
não se baseia em letras espalhadas por papéis oficiais de um
contrato, mas sim pelo que o empreendimento oferece para ele e sua
família.
Mudança nas estratégias
Com
vinte anos neste mercado, a Eugênio Marketing Imobiliário apostou
na profissionalização do Marketing neste setor. “As empresas eram
menores e todas as questões de marketing eram resolvidas em
segundo plano”, conta Carlos Valladão (foto), Presidente da
empresa do Grupo Eugênio.
Para outros executivos do setor, o cenário não mostra tantas
mudanças nas estratégias de Marketing. De acordo com Paulo Pôrto,
Diretor de Marketing e Vendas do grupo Klabin Segall, a maioria
das empresas ainda oferece o mesmo conceito: casa, família,
sorrisos e imagens. “Como um todo não mudou muito, mas a Klabin
Segall adotou o sonho, o intangível do negócio como estratégia, já
que o imóvel é o sonho da vida da maioria das pessoas”, acredita
Pôrto.
De acordo com ele, o cliente que fica cinco, dez anos sonhando com
a casa própria precisa ser comunicado de uma forma lúdica.
“Ninguém comunica cerveja dizendo que tem lúpulo ou sementes do
oriente médio. Colocam uma mulher bonita para chamar a atenção do
consumidor, por exemplo”, compara o Diretor da Klabin Segall em
entrevista ao Mundo do Marketing.
Diferenciando tijolo de tijolo
Partindo do princípio de que o setor imobiliário oferece um
produto commodity, é preciso que as empresas busquem a
diferenciação da concorrência desde a planta até a cobertura
mobiliada do empreendimento. “Confiabilidade e credibilidade são
dois grandes chavões deste setor. Partimos do princípio de
compromisso com projetos de vida, devido ao tempo que o imóvel
estará presente na vida do cliente”, aponta Rafael Rossi, Gerente
de Marketing Institucional da Rossi.
De acordo com Rossi, vender um produto imobiliário requer
responsabilidade porque existe um compromisso com as pessoas, já
que elas vão viver naquele lugar. Isto mexe com o emocional do
consumidor e é um trabalho de relacionamento em longo prazo.
A
busca pela diferenciação é simples para Paulo Pôrto (foto). Basta
que o setor responsável pela comunicação das empresas pare e pense
nas estratégias que estão fazendo e nas que virão pela frente.
Segundo ele, é preciso que o Marketing não fique no lugar comum.
“Para se diferenciar é necessário usar o Marketing alternativo, o
boca-a-boca, ser diferente, mas com bom custo para o cliente”,
avalia Paulo Pôrto, da Klabin Segall.
Oferta X demanda
Para explicar o que o consumidor leva em consideração na hora de
escolher o seu lar, o empresário do setor imobiliário, Donald
Trump, definiu em três palavras: localização, localização e
localização. Porém, na realidade de diversos brasileiros este não
é o principal atributo para a tomada de decisão. Além da
localização, é preciso destacar outros itens de um empreendimento.
“Precisamos respeitar a inteligência do consumidor e parar com a
comunicação “burra” que mostra uma planta, as dependências do
prédio, condomínio, entre outros”, alerta Carlos Valladão, da
Eugênio Marketing Imobiliário. “Procuramos o encantamento, o
conceito do negócio. Procuramos conhecer profundamente o produto
que temos e ser agressivo no preço”, completa em entrevista ao
Mundo do Marketing.
Segundo Paulo Pôrto, são poucas as características de um imóvel
que decidem a compra, mas existem variáveis muito importantes. “O
cliente hoje compra um espaço de convivência para a família,
amigos e com o comércio próximo. O espaço dele é primordial”, diz.
O Diretor de Marketing e Vendas do grupo Klabin Segall mais uma
vez cita o setor de bebidas como exemplo. “Todas as marcas de
cerveja vendem o produto gelado. Em todos os pontos-de-venda
encontramos cerveja em garrafa e qualquer uma estará gelada e
pronta para ser consumida”, conta.
Novas mídias e criatividade resultam em inovação
A Internet também invadiu
as obras e entra nos condomínios sem tocar o interfone. É cada vez
mais comum a pesquisa por apartamentos e casas pela web antes da
visita pessoal ao local. Esta já é uma das melhores formas de
atingir o consumidor, aponta Carlos Valladão, da Eugênio. “A
Internet tem um papel fundamental no alcance dos clientes através
de ações promocionais”, diz.
Uma das ações promocionais da Eugênio Marketing Imobiliário
envolveu o lançamento de um empreendimento no bairro da Lapa, no
Rio de Janeiro, há cerca de três anos. A ação começou com um
movimento criado através de um blog com bandeiras dos times de
futebol do Rio de Janeiro e o mote “Eu sou da Lapa”. “Esta ação em
conjunto com outras mídias tradicionais e alternativas resultou em
seiscentas unidades vendidas em aproximadamente duas horas”, conta
Valladão.
Descendo no mapa, saindo do Rio de Janeiro e indo para Porto
Alegre, a Rossi desenvolveu uma ação de Marketing de Guerrilha na
capital gaúcha. Em um terreno onde seria construído um
empreendimento da empresa, foram colocados tapumes para cercar o
espaço. Usando a cor azul da marca na época, os tapumes foram
pintados e a produção colocou bonecos simulando curiosos tentando
ver o que tinha atrás da cerca azul, pendurados nos tapumes.
De
acordo com Rafael Rossi (foto), o resultado foi uma grande
assimilação da marca e o sucesso na estratégia de branding da
construtora. A ação também foi feita na Internet, através do
Second Life. “Reproduzimos um prédio ainda não construído em
parceria com uma loja de móveis e aumentamos os investimento em
links patrocinados devido a eficácia da web neste setor”, conta
Rossi ao site.
Investimento em Marketing
Se no ponto-de-venda do varejo tradicional a meta é oferecer
experiência ao consumidor, no setor imobiliário não poderia ser
diferente. O ambiente onde é feita a escolha do produto é cada vez
mais fiel ao que o consumidor vai encontrar quando abrir a porta
de sua moradia. “O nosso stand de vendas consome cerca de 30% da
verba de Marketing por ser um produto de alto valor agregado. Tem
que estar muito bem ambientado e integrado com a campanha geral e
ser um ambiente agradável”, afirma Paulo Pôrto, da Klabin Segall.
Entre as estratégias de captação de clientes da Klabin Segall, a
que traz mais resultado é a que foca no consultor no PDV. Para
isso, é necessário saber atuar com cada público. “Se estou
lançando um produto de R$ 6 milhões, o corretor deve falar outras
línguas fluentemente. Se for um estabelecimento de R$ 70 mil, o
profissional deverá saber falar a língua deste público. É preciso
se adequar às necessidades”, calcula Pôrto.
Está se tornando comum para as empresas do setor imobiliário
investirem em Marketing de olho no ponto-de-venda. Segundo Rafael
Rossi, R$ 30 milhões da verba de Marketing vão para os stands da
empresa todo ano. Na Klabin Segall, os números giram em torno de
R$ 60 milhões. Tudo para fazer o consumidor investir na planta
hoje e colher os frutos amanhã.
Por Thiago Terra
FUNDAMENTAL
A Revista de Negócios em Eventos (OL)
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