A tecnologia
produzida no Brasil é uma das melhores do mundo. E mais criativas.
Foi isso que deixou claro a sexta edição da Imagine Cup, encerrada
ontem na capital francesa. Além de garantir o segundo lugar no
award de interoperabilidade, competição secundária promovida
durante a copa, o País saiu vitorioso na categoria de
Desenvolvimento de games, que estreou no evento. A equipe
vitoriosa, Mother Gaia Studio, mostrou aos juízes, participantes e
demais competidores muito mais que um game bem acabado. Embora
tivesse bons gráficos, o diferencial do City rain em relação aos
demais projetos finalistas da categoria, todos com elaborados
gráficos em 3D, foi o enredo original. “Achamos que as crianças
são a chave da transformação do mundo. E foi para elas que
desenvolvemos”, explica Guilherme Campos, um dos quatro
integrantes do time. Para reverter em algo positivo para o planeta
as horas – e watts – gastos pelos pequenos gammers no PC, a
solução encontrada pelos estudantes de Bauru, interior de São
Paulo, foi um título pedagógico, que coloca o jogador na posição
de administrador de uma cidade, cujos prédios, parques, indústrias
e demais elementos caem do céu sem parar. “Assim, as crianças
aprendem o impacto que as indústrias e a poluição dos rios, por
exemplo, podem causar. E entendem que as ações delas são
determinantes para o meio ambiente”, diz Rafael Costa, o porta-voz
oficial do time. Além de administrar as peças que caem do céu
espontaneamente, no game o usuário compra prédios estratégicos
(para cuidar do planeta ou ganhar dinheiro) e ainda supera
desafios impostos ao longo da partida. Se falhar nesse equilíbrio
entre desenvolvimento ambiental e econômico, desastres ecológicos
como tornados ou furacões podem arrasar a cidade construída. Ou
catástrofes sociais. Os criadores do jogo garantem que o City rain
tem atrativos para todas as faixas etárias e classes sociais. “O
game pode ser jogado em várias velocidades e está na internet.” O
site para downloads é o www.cityra.in. “Vamos incrementar o game
com novas ferramentas para oferecê-lo no mercado brasileiro,
especialmente nas escolas”, diz Guilherme. Um dos principais
recursos que o game ganhará são opções de personalização de mapas
e desafios. “Os professores poderão usar o mapa da cidade e os
problemas mais recorrentes na região”, diz Rafael. A equipe testou
o programa numa escola de São Paulo com sucesso. “A opinião das
crianças emocionou muito a gente”, diz a única menina da equipe e
de toda a delegação brasileira, Helena van Kanpem, estudante de
design. A receptividade dos jurados, no entanto, foi o que de fato
deixou a equipe emocionada. Guilherme chegou a chorar ao ser
anunciado vencedor. “O melhor é que a gente deu conta de tudo
sozinho, da concepção do jogo, até o cronograma de
desenvolvimento”, diz o estreante no evento. Ele não sabe se
voltará a se inscrever em 2009. “É melhor investir nossa energia
no City rain.” O segundo lugar da categoria ficou com a Bélgica e
o terceiro com a Coréia.
DESPEDIDA
Os
pernambucanos e paulistas da Ecologix, indisfarçavelmente
desapontados com o resultado, também já anunciaram sua
aposentadoria da copa de tecnologia. Antes de saberem do
resultado, vale ressaltar. “É hora de cuidar de outras coisas. Um
projeto desses toma muito tempo, coisa que não temos mais
sobrando”, diz Carlos Rodrigues, que já tem um mestrado e uma
empresa para administrar. Veterano em imagine cups, ele não
entende como a rede social ecológica criada pelo time, o Ecologger,
não ficou entre os três finalistas de Software design. “Não
entendo os critérios do júri. A lição é criar menos expectativa em
situações como essa”, lamentou. Os três vencedores em Software
design foram a Austrália – com uma solução de uso sustentável do
solo para fazendeiros –, a Eslováquia – com um sistema de redução
de consumo de energia residencial – e a Hungria – que apresentou
sistema para minimizar o consumo de água também para agricultores.
Outro brasileiro que chegou ao fim do campeonato, mas não se
classificou na categoria de IT Challenge foi Thiago Cabral
Valverde. Aos 17 anos, o estudante de São Bernardo do Campo foi o
único aluno do ensino médio escolhido entre 16 mil inscritos para
participar da prova na França. O feito de Thiago e de todos os
seis finalistas mundiais foi tão grande, que o primeiro colocado
da categoria, o francês Jean-Benoit Paux, chamou ao palco os
participantes na premiação. “Parabéns a todos nós”, disse. Thiago,
que já participou de copas de matemática antes, pretende continuar
investindo em tecnologia. Os outros dois vencedores da categoria
são da Romênia e da China.
A China, por
sinal, foi um dos países com mais finalistas. Ficou em segundo
categoria Sistemas embarcados, com a Irlanda, entre Singapura e
Polônia, e também na categoria Projeto Hoshimi, entre a Rússia e a
Ucrânia. Outro país que se destacou, a Ucrânia levou a melhor numa
das mais difíceis disputas, a categoria de Algoritmo, seguida pela
Hungria e Japão. Os Estados Unidos ganharam fotografia (seguidos
pela Áustria e pela Croácia) e Interface design (seguidos pelo
Canadá e pela França). Os vencedores de curta-metragem foram
Coréia, México e Canadá. (B.C.)
Fonte:
TV Jornal-PE