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Que
crise? Só trabalhamos com as melhores marcas e para quem
trabalha bem não há crise, afirma o presidente da Bread &
Butter. Questionado sobre quais os efeitos da crise que o
mundo está enfrentando no seu negócio, esta foi a resposta de
Karl-Heinz Müller, presidente da Bread and Butter, hoje a
maior feira de moda, calçados, assessórios e componentes da
Europa.
A Bread and Butter Barcelona (BBB) deu um colorido maior a
capital da Catalunha, reunindo nos arredores do "Castell de
Monijuïc" - o impressionante complexo arquitetônico erguido na
Praça de Espanha para abrigar a Exposição Universal de 1929,
hoje Museu Nacional de Arte da Catalunha - seus 893
expositores. Os milhares de visitantes, logistas, produtores,
jornalistas, e especialistas em moda de todo o mundo lotaram
também a Av. Maria Cristina, nestes dias fechada ao tráfego.
E para quem iniciou esta feira há 7 anos com 50 expositores e
1.000 visitantes, realmente não deve haver crise. Os números
apresentados na feira, que encerra nesta sexta-feira, mostram
que apenas no primeiro dia aproximadamente 30.500 pessoas
estiveram na BBB, provenientes de 121 países. E nos demais
dias o número de visitantes foi maior. Percentualmente 72% dos
visitantes foram internacionais e 28% espanhóis.
Com 61 expositores a menos que em 2007, o presidente da BBB
voltou a surpreender os jornalistas ao afirmar que irá reduzir
ainda mais a participação. Para janeiro de 2009 apenas 800
exibidores poderão comprar espaço na BBB. Segundo Karl-Heinz
"a feira quer crescer, mas crescer bem. Quer oferecer uma
carteira perfeita de marcas para os visitantes, o que
significa que seguiremos trabalhando para trazer as melhores
marcas, as líderes, para as quais sempre haverá lugar".
Sublinha ainda o dirigente que a BBB teve um desenvolvimento
expressivo nas últimas três temporadas, e que hoje as marcas
não buscam mais stands, mas destinos. Destinos especiais para
marcas especiais. E que a sua feira lhes abre as portas do
mundo no momento em que a internacionalização é a melhor
receita para vencer crises.
A BBB representou nestes dias um impacto na cidade de
Barcelona, em termos de ocupação de hotéis, apartamentos,
restaurantes e transporte, da ordem de 90% da capacidade
preenchida e 100 milhões de euros, não considerando nesta
cifra os negócios fechados pelos expositores.
A FEIRA SOB
DIFERENTES PONTOS DE VISTA
CONTE DI FIRENZE:
TRADIÇÃO EM SPORTWARE
Para os italianos da Conte di Firenze, a crise internacional
existe e não pode ser subestimada. Gian Romano Boretti,
vice-presidente da empresa, entende que o mundo está
apreensivo, procurando entender o que acontecerá amanhã ou
depois de amanhã. Neste contexto, a participação na BBB
significa reforçar a visibilidade e o desenvolvimento no
exterior. A meta atual é priorizar o mercado europeu, ou
melhor, reforçar a presença em seu principal mercado.
"A feira representa muita loucura, muita ruptura, a busca da
novidade a todo o custo, lembra Boretti.
Detentores de uma grife que faturou 404 milhões de euros em
2007, presente nos mercado da Europa dos Alpes - França,
Itália, Suíça, Alemanha e Áustria - bem como na Rússia e
Ucrânia, os planos de expansão dos Boretti passam longe do
Brasil. O gosto europeu, mais especificamente o design da moda
italiana, que a grife de sportware traduz de forma precisa,
deverá ter na China seu mercado de expansão futura.
A Conte de Firenzi, que significa a moda casual chique, tem
especial atenção com os detalhes, e cai muito no gosto dos
amantes do golfe. Boretti aponta esse como o esporte
individual mais difundido no mundo, com dezenas de milhões de
jogadores. Portanto, dezenas de milhões de possíveis
consumidores.
HAVAIANAS APOSTA NA BBB PARA CRESCIMENTO EM BRANDING
A Havaianas esteve presente na BBB com dois stands. Um voltado
ao público consumidor, que podia customizar suas sandálias com
os designers da marca presentes no stand, o que gerou uma boa
visibilidade. A renda das vendas foi destinada a uma
instituição da Catalunha. O outro, focado no público lojista,
além de exibir as novas tendências, serviu para agendar as
visitas ao show room.
De acordo com Sérgio Sanchez, gerente de vendas para a Europa,
as vendas deste verão europeu não foram as melhores, o que se
traduz em crise, sim. Até porque, salienta, o verão europeu é
muito marcado.
Hoje o departamento de exportação da Havaianas, montado em
2002, é profissionalizado e no exterior possui estrutura
própria na Europa, sediada em Madri - que atende os mercados
da Espanha, França e Inglaterra - e nos Estados Unidos. A
partir de 2009 também serão atendidos Portugal e Itália. As
exportações que significavam 2% do total de negócios hoje
estão na faixa de 12%.
Com o produto consolidado na Europa a Havaianas iniciará o
processo de massificação. Sanchez lembra que a sandália hoje
está apenas nas lojas mais bonitas e que deverá ampliar a sua
participação no mercado, com a presença em lojas formais que
vendem calçados. E que a BBB é a feira em que se tem que
estar.
Fonte: Global 21 (04/07/2008) Por: Clara Pugnaloni, enviada
especial da Global21 para a Bread & Butter e colaboradora da
FUNDAMENTAL (OL) |