Na busca por uma identificação com o consumidor, muitas empresas
vêm optando por patrocinar e realizar ações culturais. Muito além
dos benefícios fiscais oferecidos por leis governamentais, o
Marketing Cultural proporciona uma experiência em conjunto com uma
marca que dificilmente uma campanha publicitária ou uma promoção
de um produto irá gerar.
Apesar disso, a prática só se difundiu após a implementação da Lei
Rouanet, que oferece abatimento fiscal para as empresas que
realizam ações de incentivo à cultura. Somente em 2007, a Lei
Rouanet captou mais de R$ 944 milhões, cerca de 80% apenas na
Região Sudeste (44% em São Paulo).
Atualmente, é praticamente impossível encontrar alguma atividade
cultural que não esteja recebendo apoio de alguma instituição
privada, que geralmente visam criar ações de relacionamento
exclusivas para seus clientes e atrair prospects para a empresa.
Esse é o caso do Banco do Brasil, uma das marcas mais lembradas
quando se fala em Marketing Cultural e patrocínios em geral.
Marketing Cultural do Banco do
Brasil
No ano passado o
banco foi o terceiro maior investidor em cultura pela Lei Rouanet,
investindo cerca de R$ 16,2 milhões, atrás apenas da Vale e da
Petrobras. Em 2008, o investimento em cultura do Branco do Brasil
deve chegar a R$ 40 milhões, que este ano completa 200 anos e
prepara ações comemorativas.
Entre os objetivos dessas iniciativas estão a agregação de valor à
marca, contribuição no processo de prospecção e fidelização dos
clientes – uma vez que eles podem conseguir vantagens exclusivas
nestes projetos - e reforçar o conceito de uma empresa cidadã e
apoiadora de cultura.
O banco tem uma história de investimento em cultura que remonta a
um museu fundado pelo Banco do Brasil ainda na década de 1930,
quando foi criado um museu de cédulas e moedas brasileiras. Hoje o
espaço possui o segundo mais importante acervo do tipo, atrás
apenas do Banco Central do Brasil.
CCBB consolida Marketing
Cultural
Mas a consolidação do Marketing Cultural promovido pela empresa se
concretizou com a reforma da antiga sede no Centro do Rio de
Janeiro, que deu forma ao primeiro Centro Cultural Banco do Brasil
(CCBB, foto acima), em 1989. Hoje, o local com 17.000 m² integra
diversos espaços em um só, juntando os mais diversos tipos de
artes em uma programação dinâmica.
“É com muita alegria que vemos que o Rio se apropriou do CCBB no
cenário cultural da cidade como algo deles”, comemora Yole
Mendonça, Gerente de Marketing do banco, em entrevista ao Mundo do
Marketing.
Brasília e São Paulo foram outras cidades a receberem um Centro
Cultural Banco do Brasil, em 2000 e 2001, respectivamente. Além
disso, há mais de 10 anos o BB tem um projeto itinerante de
programação cultural que pretende atingir todas as capitais
brasileiras este ano.
Dançar Marketing & Comunicações
Uma empresa especializada neste tipo de Marketing é a Dançar
Marketing & Comunicações. A agência, que trabalhou com empresas
como Ambev, HSBC, Bradesco e Coca-Cola, conta no currículo com
cases de sucesso como o Avon Women in Concert. O evento reuniu uma
orquestra composta apenas por mulheres. A agência também realizou
o evento de música Telefônica Open Jazz (foto abaixo) e o
Concertos de Vinólia, promovido pela Unilever (então Gessy Lever),
com música erudita de graça ao Parque do Ibirapuera.
Além desses, a empresa acumulou diversos prêmios para a Nestlé com
o projeto “Viagem Nestlé pela Literatura”, que proporcionou
oficinas e concursos culturais através dos quais alunos de
diversas escolas eram levados a raciocinar e debater temas da
atualidade através de oficinas, sempre utilizando obras da
literatura brasileira como base.
A Dançar Marketing & Comunicações é um desdobramento da revista
Dançar, que alcançou prestígio na década de 1980 ao focar em
espetáculos de dança, quando ampliou sua atuação com a realização
de eventos de dança pelo Brasil. Hoje, apesar da revista não
existir mais, a experiência acumulada já engloba participações nos
mais diversos tipos de eventos, desde shows de músicas até peças
de teatro, inclusive com atuação no exterior, com uma filial em
Nova York.
Para o CEO da agência, Pedro Bianco (foto), “O Marketing Cultural
é uma ótima maneira de gerar identificação e memorização de uma
marca, seja ela corporativa ou de produto, ao proporcionar o
relacionamento com o público de interesse da empresa, gerando um
retorno de mídia espontânea que muitas vezes ultrapassa o valor
investido.”
Cuidados na hora de escolher
projetos
Para alcançar resultados satisfatórios, não é qualquer formato que
terá utilidade. É preciso associar-se a projetos que estejam em
sintonia com a atuação da empresa. “A Dançar cria as políticas de
patrocínio fundamentadas na visão da empresa, utilizando critérios
de seleção adequados à sua linha de atuação. A elaboração da
política de patrocínio também engloba fluxo de propostas,
procedimentos de controle e aferição de resultados”, ensina Pedro,
da Dançar, em entrevista ao Mundo do Marketing. A busca por um
diferencial pelo qual à marca possa se associar também é
essencial. O Banco do Brasil, por exemplo, procura promover uma
arte de vanguarda, de inovação, de forma a se diferenciar de
outras ações de Marketing Cultural concorrentes que têm cunho
social ou se apóiam em apresentações de músicas populares, por
exemplo. “Isso gera um estreitamento na relação entre o banco,
seus clientes e a sociedade. Quando as pessoas pensam em
patrocínio cultural, sempre o Banco do Brasil é a empresa citada.
Ganhamos esse reconhecimento e reforço na imagem”, conta Yole
Mendonça, Gerente de Marketing do BB.
Além disso, é preciso ampliar a ação de Marketing Cultural em
outras vertentes. Ou seja, não apenas oferecer atividades
culturais com o nome da empresa e divulgá-lo, mas também criar
ações de relacionamento (descontos para clientes, por exemplo),
endomarketing, como uma distribuição de ingressos para
funcionários, colocar promotores para oferecer brindes e amostras
de produtos ou até mesmo vender produtos da marca relacionados com
o evento.
Basear-se em pesquisas pode ajudar a posicionar melhor as ações. É
o caso da Nova Dutra, administradora da rodovia Presidente Dutra.
A empresa constatou que cerca de 70% dos municípios pelos quais a
rodovia atravessa não possuíam espaços culturais como museu,
cinema ou teatro. A iniciativa partiu da Companhia de Concessões
Rodoviárias, holding da qual a Nova Dutra faz parte, que já
realizava ações do tipo em outras rodovias e passou a adotar isso
como posicionamento da empresa a partir de 2004. Essas
iniciativas, aliadas a outras de cunho educacional ou social,
tinham como objetivo melhorar a imagem da empresa perante os
habitantes dos municípios atravessados pela rodovia, muito deles
motoristas que precisam utilizar constantemente a estrada que liga
o Rio de Janeiro a São Paulo para se deslocar. “Hoje, a empresa
conta com diversos projetos itinerantes, como um cinema,
exposições, e patrocínio da Orquestra Sinfônica de São José dos
Campos”, conta Gilberto Pinheiro, da Nova Dutra.
Por Guilhermo Dutra
Fonte:
Fundamental
A
revista de Negócios em Eventos (OL)