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BostonNow na Web 2.0 e sem custo para leitores!  


Boston (EUA). Uma experiência que vale a pena acompanhar, o jornal BostonNow que  estreou na internet no dia 16 de abril , sem custo para os leitores. O veículo foi construído em apenas dois meses, a partir de um convite geral à adesão de centenas de “blogueiros” da região, cuja inovação da iniciativa é o conteúdo que será uma mescla das colaborações de “blogueiros” amadores, ou internautas comuns, com o trabalho de jornalistas profissionais. Todas as manhãs, às 9h55, 60 pessoas serão admitidas numa teleconferência que irá decidir a pauta do dia e o futuro imediato da publicação. O número é limitado pela tecnologia, mas pode ser ampliado com o tempo, avisa um dos fundadores, o editor-chefe John Wilpers. A versão impressa do BostonNow será distribuida gratuitamente e conterá uma consolidação do conteúdo mais relevante que tiver sido veiculado na versão eletrônica, evidentemente sem os vídeos e áudios . Trata-se de um jornal comunitário coordenado, dirigido e administrado por jornalistas profissionais, com amadores participando de um conselho editorial informal, mas decisor.

Os direitos de autor

A comunidade online sobre a qual o jornal pretende se consolidar será autocontrolada. Um sistema de comunicação direta com os editores é colocado à disposição dos leitores, para que informem sobre conteúdos obscenos ou inapropriados. Os editores não pretendem editar o material tido como inadequado, pois eles consideram que a integridade do material postado representa a voz do “blogueiro” e precisa ser conhecido integralmente pelos leitores. Nos casos extremos, textos, imagens ou locuções considerados inadequados serão apagados da edição. A edição impressa, que estréia com 150 mil exemplares, conterá sempre uma seleção das contribuições de blogueiros e outros cidadãos comuns, integrada ao material produzido por jornalistas profissionais. Os anunciantes podem comprar espaço apenas na edição online, apenas na impressa ou em ambas, combinando diversos formatos, como anúncios estáticos, spots de áudio e vídeos. O projeto prevê a predominância de anúncios do setor imobiliário. Fotógrafos e cinegrafistas são convidados a expor seus trabalhos, inicialmente postados em sites específicos, com link para o endereço do BostonNow, e futuramente será criada a condição para que esse conteúdo seja postado diretamente no site do jornal. Os direitos dos autores serão preservados, embora seus conteúdos sejam mantidos nos arquivos do jornal.

Modelo subversivo

Ao postar o material, os autores escolhem a seção onde gostariam de vê-lo publicado, o que facilita o trabalho dos editores que cuidam da edição em papel. A seleção para publicação na versão impressa será feita pelos jornalistas editores do BostonNow, seguindo critérios como originalidade, relevância, relação com temas da comunidade ou com os interesses locais, textos sem erro, fotos e vídeos com alta qualidade digital. A webmaster Regina OBrien, co-fundadora do jornal, explica que a idéia é oferecer um ambiente integrador, em vez de competir com os blogueiros - que atuam às centenas na região onde se concentram muitos intelectuais, estudantes e profissionais que têm muito a partilhar com a comunidade. Com o tempo, o jrnal BostonNow pretende oferecer alguma forma de remuneração aos autores de conteúdos que forem selecionados para o jornal impresso. Para isso, está prevista a revenda de conteúdos para a mídia de outras regiões dos Estados Unidos e do exterior. Os editores contam com a capilaridade que o jornal deverá apresentar, na medida em que vem arregimentando um grande número de blogueiros bem informados em variados setores das comunidades acadêmicas, de negócios e sociais da cidade.

Segundo os editores John Wilpers e Regina OBrien, a opção pela transparência é absoluta. Todas as pessoas que participarem da reunião de pauta, a cada manhã, ficam sabendo o que pensam os editores sobre cada tema proposto para a cobertura diária, e podem influenciar na linha editorial do jornal online e na versão impressa. Esse é um modelo que subverte completamente a prática geral da imprensa tradicional, baseada numa rígida estrutura de mando que se inicia e sempre desemboca, no topo, na voz do dono.

Fonte: Observatório da Imprensa