Produzindo cerca de 1 bilhão de litros cerveja mas bebendo, em
média, 100lt por belga por ano, estatisticamente nos leva a crer
que até bebê toma cerveja na Bélgica. Além do que os belgas devem
ser doces porque consomem 8.3 kg de chocolate por habitante
anualmente. Embora densamente habitada, nos seus 30 mil kilometros
quadrados (quase uma Alagoas), 315 belgas por km², vivem bem,
alegremente, preferindo restaurantes (27%) aos fast food (12%),
produzindo bem (2.3% do comércio mundial) e digerindo com bom
humor dificuldades vividas ao longo de sua heróica história.
Gostam de arte e divertimento.
Falar dessa gente, orgulhosa de sua cultura e arte, fruto de sua
produtividade intelectual e da tenacidade em seu viver, é
complicado, dado a heterogeneidade dos setores em que ela se
produz. Cultura vivida e amada transpira por todos os poros da
sociedade belga. É um desafio, o que tentaremos pincelar aqui.
Certamente a pintura é que mais contribuiu para a promover a
Bélgica no mundo cultural desse planeta. Entende-se que ela
começou no fim do séc XIV, com as obras de Melchior Broederlam,
seguido dos primitivos flamengos, no séc XV, época esplendorosa
com Jan Van Eyck e seus contemporâneos, que libertaram a pintura
belga do estilo gótico internacional, dando início ao período
florescente, dominando a técnica do claro e escuro, das
perspectivas e do realismo colorido.
A obra de Quentin Metsys anunciando a passagem para a Renascença,
junto com inúmeros pintores belgas como Peter Bruegel de Alt,
pintor único cuja obra era dominada pelo folclore camponês em suas
cenas satíricas e moralizantes.
O sec. XVII nos traz um segundo período florescente em que Peter
Paul Rubens, pintor e diplomata, se sobressai sobre os outros,
associando de forma única o realismo flamengo e a elegância
italiana. Anton Van Dyck outro grande mestre, um especialista dos
retratos aristocráticos.
No século seguinte, a pintura belga sai de diferentes escolas que
se liberam do classicismo francês trazendo no séc XX, pintores
como Van Gogh, James Ensor e René Magritte que chamam a atenção no
mundo. Mai adiante, quando a pintura e da escultura se fundiram
numa arte plástica mais ampla, vieram Panamarenko e Marcel
Broodthaers.
A Bélgica é um dos primeiros países onde floreceu ‘l’Art Nouveau’,
época do abstracionista flamengo Henry Van de Velde [1863-1957],
membro dos 20 de Bruxelas, um dos fundadores do Bauhaus, estilista
de móveis, criou a escola e academia Kunstgewerbeshule, publicou
entre outras obras “A la recherche de la beauté permanente’ e
Victor Horta (1861-1947) de Gant discípulo de Alphons Balat, um
líder da arquitetura ‘Art Nouveau’, cria edifícios neo-clássicos
refutando estilos da época, conceituando a arquitetura moderna com
princípios abstratos ligados ao meio ambiente, em vez de imitar
formas, foi assim o predecessor de muitos modernistas. Seu
discípulo Jean Delhaye seguiu suas obras em que o sentido do
moderno e do experimental valeu até hoje aos arquitetos belgas um
grande renome internacional.
Na literatura e no teatro os belgas brilham também pelo mundo
desde o fim da Idade Média em que os mistérios, baseados em
histórias bíblicas e nas lendas eram obras sempre atuais como
‘Eerste’ e ‘Sevende biscap van Maria’ ainda apresentados todos os
anos. Nos anos 1400, grupos criavam poesia e escreviam nas
‘Chambres de Rhétoriques’ que no séc XV e XVI produziam para o
teatro e organizavam concursos de retóricas, estimulando obras
teatrais.
Em 1700 o Théatre de la Monnaie em Bruxelas, foi o primeiro grande
teatro de opera construido, onde, Gerard Monier dirigiu e levou
espetáculos italianos, alcançando repercussão internacional. Nos
anos 60 o Ballet van Vlaanderen liga opera com balé, sob a
direção de Jeanne Brabants. O Ballet de Vallonie segue os mesmos
paços na condução de Hanna Vooss com reconhecimento internacional.
A dança contemporânea goza de renome mundial com Maurice Béjart e
seu “Ballet du Vingtième Siècle” que inspira fortemente a dança
moderna. Anne Teresa e seu “Keersmaeker” deu um novo empurrão à
dança contemporânea com “Rosas”, sua companhia.
Em 1853, Antuérpia assiste à criação do primeiro teatro flamengo
profissional seguido por Gant e Bruxelas. Maurice Maeterlinck é o
primeiro escritor e autor dramático belga de fala franceza a
adquirir notoriedade internacional além de mais nomes célebres
como Bertim, Herman Teirlinck e Hugo Claus.
No séc XIX a história em quadrinhos belga começa porque é uma boa
oportunidade comercial para os jornais que, em 1926, são
ilustrados com trabalhos de Hergé. O pai da história em quadrinho
da Bélgica, criou Tin-Tin, Jijé e outros personagens conhecidos no
mundo inteiro. Georges Van Raemdonck com seu Boletje en Bonestaak,
Bob de Boor e Varc Sleen também fazem sucesso.
O hebdomadário Spirou de Jean Dupuis, 1938, é outra etapa
importante na história das história em quadrinhos, com a obra do
célebre desenhista flamengo Willy Vandersteen conhecido por seus
heróis Bob e Bobette.
Liège, durante a Idade Média virou um centro intelectual
especializado, entre outras, na tradução de textos religiosos,
propiciando mais tarde, com a aparição da burguesia, de textos
para um público interessado em resenhas históricas num formato
teatral muito colorida.
As guerras religiosas e o domínio espanhol no séc XVI deixaram
profundas impressões, tanto nas civilizações como na literatura.
Marnix de Sante-Aldegonde é o único escritor de renome da época,
além do poeta Jan Van der Noot.
Os anos 1600 produziram Justus de Harduyn, poeta importante alem,
das imagens com provérbios de Adrianus Poirtiers e que tiveram
grande sucesso. No séc XVIII surgiram grandes nomes da literatura
belga, Georges Rodenbach e o prêmio Nobel, Maurice Maeterlinck,.
No séc XIX, Henrik Conscience, alma da escola de Antuérpia de
literatura flamenga, inspira o movimento pelo seu Leão de
Flandres. O novo Van Nu en Straks, na vertente flamenga e na
Valonia grupos de poetas místicos, do porte de Paul Champagne, se
esmeram na evocação pela terra natal, além de outros bem
conhecidos na época como Guido Gezelle e Paul Van Ostaijen e,
entrando nos anos 1900s com Stijn Streuvels, Willem Elsschot,
Louis Paul Boon e Hugo Claus. Do lado francófono, Henry Michaux,
Pierre Mertens e Georges Semenson, são valores internacionais.
Não esqueçamos a música embalando sonhos e animando o dia-a-dia
popular e erudito. Dentre muitos o trovador irreverente Jacques
Brel [1929-78], poeta e compositor manteve a música de um espírito
rebelde, entusiasta e vibrante a serviço do cotidiano, às vezes
árido e fustigante. Fez cinema também – Le Far West – 1972, mas Ne
me quitte pás, Les bourgeois, Les Flamandes, Le plat Pays são
algumas canções inesquecíveis. Um gênio do instrumental da música
será sempre lembrado, Adophe Sax, 1814-94 inventor do saxofone [la
voix de Sax], tão indispensável na música moderna. Produziu mais
de 40 mil instrumentos no seu atelier em Paris, quase todos
produtos de suas invenções. Jean “Toots” Thielemans, 1922- hoje
com 80 anos, jazzman de importância internacional, companheiro de
Benny Goodman, Charlie Parker e George Shearing. Ganhou o apelido
Toots por causa dos Toots Mondello e Toots Camarata, compôs
“Bluesette” 1962 e trilhas sonoras de filmes como Midnight Cowboy
e Brazil.
Hoje, deve-se falar numa vertente importante da comunidade
produtiva belga que é o interesse por uma visão mais integrada do
design nacional, envolvendo designers, produtores, fabricantes,
escolas e outras atividades ligadas à especialidade. É a
consciência nacional lutando pela presença belga no mundo com
produtos e soluções para uma vida melhor.
O design, é uma arte moderna profundamente socializante porque
mexe com produtos e serviços, além de fazer parte do universo
operacional da empresa, onde participa de funções desenvolvidas
por colaboradores, funcionários, pessoas agregadas. O designer dá
o toque local para o uso universal de uma identidade nacional. O
design conceitual está reunindo em Bruxelas, mais de 30
profissionais, - designers produtores, consultores em design,
estúdios e bureaux de pesquisas, agencias de design, fabricantes,
escolas e organismos de promoção, participando todos de uma mesa
redonda chamada ‘Bruxelles Design” organizada pelo Ministro do
Comércio Exterior de Bruxelas. O objetivo é avaliar as aspirações
dos designers e das PMEs em relação as exportações. As propostas
estão sendo encaminhadas para Bruxelas Export e para a
organizadora do evento, la Maison des Metiers d’Art, cuja a missão
será ajudar no crescimento do design bruxelense, tanto a nível
local como internacional.
Os debates se desenvolveram em torno a temas como: Design
industrial, design ambiental, moveleiro, design da comunicação
gráfica e design têxtil. Suas conclusões permitirão o entendimento
claro às necessidade de desenvolver as atividades profissionais
ligadas ao design a fim de produzir uma imagem global e coerente
utilizada na exportação da Bélgica. Deverá surgir também um novo
Design Center em Bruxelas, tornando-o a vitrine dos produtos e
protótipos concebidos e fabricados na Bélgica.
Será lançado um prêmio do design em Bruxelas. Já foi editado o
guia do design na Bélgica, “Made in Belgium. Design Guide”
salientando o papel importante do designer, co-editado pela Maison
dês Metiers d’Art/Fondation pour les Arts.
Um guia reunindo informações sobre design que é especial e único
na sua categoria, dado seu formato, fugindo ao estilo ‘catálogo
telefônico’, usando como base os dados bem estruturados, da Maison
des Metiers d’Art et du Patrimoine, MMAP, La Fondation pour les
Arts. O guia baseia-se no trabalho de mais de 130 designers,
agências de design e estúdios, além de companhias com times de
in-house designers, cuja a atividades e trabalhos revelam
efetivamente o talento e a competência dos designers belgas de
diferentes regiões: Bruxelas, a região Flamenga e a Valônica.
A publicação editada em francês, holandês e inglês, foi mantida de
forma concisa, embora tentando resumir o conceito e os projetos
desenvolvidos por designers belgas e suas companhias. Informações
no MMAP- tel +32 (0) 2-5131339 e Fondations pour lês Arts Tel
00322-2187807
design.b@skynet.be.
Francisco J.M.
Fialho, jornalista, Relações Públicas é belga de nascimento e
brasileiríssimo de corpo e alma, poliglota e de humor
incomparável. Foi correspondente de grandes veículos de
comunicação de massa entre eles Estado de São Paulo, em Paris/FR;
trabalhou desde a implantação do Projeto da Hidrelétrica Itaipú
até bem depois da sua inauguração como Diretor de Comunicação
quando recebeu Mr.Rockfeller e comitiva entre outras celebridades
empresariais, UNIBANCO e outras empresas de porte; é empresário da
área de informática C.Events e Coordenador do Comitê Educação e
Assuntos Universitários da Câmara de Comércio Belgo
Luxemburguesa-BELGALUX.
Fonte:
Fundamental
A
revista de Negócios em Eventos (OL)