"O bom caçador só atira quando localiza a caça. Caso contrário,
além de desperdiçar munição, a caça pode tornar-se problemática".
Apropriando-nos deste ditado popular, entendemos que os estudantes
não devem ser disputados a unhas e dentes, mas sim pelo valor que
uma Universidade dá a sua qualidade de ensino, às suas instalações
e recursos tecnológicos utilizados mas, principalmente, pelo valor
ao seu atual aluno, vulgo, o seu “cliente”.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE/
Setembro de 2007), o número de universidades nos municípios
brasileiros obteve um crescimento de 103,1%. Este estudo foi
realizado em 5.564 municípios brasileiros e analisado entre 1999 e
2006.
A evolução das universidades e as diversas alternativas para
escolha de uma instituição de ensino trouxe a tona uma nova
questão: Como fidelizá-los? Como chamar mais a sua atenção para
que permaneçam em suas instalações? Como fazer para que atuem,
naturalmente, como divulgadores da instituição?
Com o aumento da competitividade pelas vagas, as próprias
universidades precisam, e muito, se diferenciar para atrair a
atenção. Um dos recursos já utilizados é o tradicional Marketing
Educacional. Muitas instituições utilizam 30 segundos de um
comercial televisivo, banners na internet, páginas de jornais e
revistas e/ou distribuem panfletos nas saídas dos colégios e
cursinhos para alcançar este público.
Mas essas são ações comuns e nosso foco aqui é falar de
diferenciação, vantagem competitiva, posição de destaque. E a
iniciativa urgente está no constante trabalho de sua marca e não
somente nos períodos sazonais. As campanhas não devem ser criadas
somente na hora do vestibular, mas durante o ano todo e de
diferentes modos, atingindo o futuro e o atual universitário. Ou
seja, aquele que pode ser seu “cliente” e aquele que você precisa
manter como tal.
Por atuar fortemente com esse público, vejo em minhas experiências
universidades tradicionalíssimas que se acostumam com seu nome e
se fazem valer da imagem, fortalecida há anos. Mas outras
instituições surgem, com diferentes focos e custos e é nessa hora
que é preciso fazer o “up grade” de uma marca, dando um toque de
“atualização” na combinação da comunicação com o Marketing.
Investir em pesquisas de satisfação com um público que está quase
se formando é um dos caminhos. Na verdade, os formatos para
aplicá-la são diversos. Porém, ter isso como ferramenta
fundamental embasará todas as outras iniciativas. Quem está
acabando pode deixar a mensagem do que foi e o que não foi bom
durante o percurso, o que possibilitará um planejamento
estratégico para a chegada de novos membros ou mesmo descobrir uma
insatisfação a tempo de corrigi-la.
Formar uma boa imagem durante os anos de estudo não é das tarefas
mais fáceis, mas cuidar para que ela seja repassada de uma forma
benéfica é essencial. A saída é mesclar a formalidade com uma
relação mais interpessoal. Estar mais próximo dos seus “clientes”,
aproximar cada vez mais a diretoria das entidades acadêmicas (que
são geridas pelos próprios alunos), alinhar discursos e fazer
ações em prol de um bem maior: o Marketing da multiplicação.
Isso significa primeiro fazer para, conseqüentemente, estar
presente no Marketing viral e não ao contrário. Os universitários
estão sempre em turmas, dentro e fora da universidade. A
transmissão de uma informação positiva ou negativa via o
“boca-boca” dessas turmas é altamente ágil.
O que quero dizer aqui é que muito além da necessidade de um
planejamento de prospecção, retenção e fidelização com esse
público, é preciso agir de forma que os resultados sejam
conseqüências para uma boa reputação. O fato de seguir moldes
tradicionais e saber que eles também dão certo (e sempre deram)
não significa que não se pode mudar ou aprimorar. A palavra do ano
é Inovação.
E não há incertezas. O mercado já conta com especialistas que
podem auxiliar em todo esse processo estratégico, bem como as
ações a serem feitas. O mais importante nesse momento não é o
braço operacional, mas a real aplicação no aprimoramento de sua
marca para ser o mais diferente possível das demais e aumentar o
que antes já era bom.
Uma dica: Para começar, troque a relação que impera atualmente nas
instituições, de “cliente” X universidade por patrimônio X
universidade. Além disso, conheça melhor seu patrimônio. Invista e
dê manutenção. E o mais importante, esqueça as “aspas” e troque-as
pela exclamação!
A faca e o queijo estão nas mãos. Os universitários não são
difíceis de entender. Pelo contrário, estão na principal fase de
suas vidas: a do amadurecimento. E, com isso é possível atrair,
mudar idéias, influir, gerar atitudes e expectativas, despertar
sentimentos e, principalmente, formar opinião. Certamente, você
pode escolher: ser a caça ou o caçador?
Por Caio Romano
FUNDAMENTAL
A Revista de Negócios em Eventos (OL)