Quem você pensa que é?


A qualidade da comunicação escrita é fundamental para o sucesso. Mas a maneira como falamos, como nos apresentamos em público, é igualmente importante para o sucesso corporativo ou pessoal. É este o assunto que abordarei, brevemente, neste espaço. Para começar, quero propor esta questão: “Quem eu penso que sou?” Pense nesta pergunta e tente respondê-la. Utilize adjetivos para qualificar a si próprio, tentando imaginar como as pessoas enxergam você. Sou simpático? Sou franco? Sou polido? Sou verdadeiro? Sou agradável? Não é raro que se procure aparecer para as outras pessoas usando disfarces, ainda que inconscientes. São as máscaras sociais de que falava Karl Jung. Mostramo-nos exteriormente de uma determinada maneira, acreditando que as pessoas nos vêem como imaginamos. Existem pessoas que acham o seu próprio tom de voz lindíssimo, como o de um locutor de rádio. Aí apostam nisso, capricham na impostação da voz, mas só fazem ficar antipáticos, afetados e falsos.


De maneira oposta, existem pessoas que têm de si próprias uma impressão exageradamente negativa: envergonham-se de seu tom de voz, consideram sua presença inexpressiva ou desagradável, temem desconcertar as pessoas com o que tenham a dizer. Essas pessoas fazem perguntas diferentes: “Por que sou tímido? Por que sou feio? Por que todos me olham com antipatia ou desconfiança? Sou incompetente? Sou incapaz? Sou pior do que os outros?”  Nem tanto ao mar, nem tanto a terra.

Franklin Delano Roosevelt, o presidente norte-americano, dizia que o arrojo é uma qualidade. “Sempre que te perguntarem se podes fazer um trabalho, responde que sim e te ponhas em seguida a aprender como se faz.” Seria isto mentir? Ou tão-somente antecipar habilidades? Uma coisa é certa: se você tem medo de falar em público, só vai corrigir isto falando em público. Tenha medo, ninguém proíbe você desse temor. Mas faça. Enfrente o público, enfrente a si mesmo. Aos poucos você verá que pode se apresentar com sucesso. Basta aprender a conhecer bastante bem a si mesmo, como ensinava Sócrates, conhecer profundamente o assunto sobre o qual pretende falar, como recomendava Roosevelt, e seguir as regras da boa comunicação, como sugerem grandes oradores da História.

Fonte: Joaquim Maria Botelho