Qualidade está além dos equipamentos

 

Dentre as questões abordadas quando o tema é Tecnologia da Informação a mais significativa, ao meu ver, é a dificuldade de interpretar a realidade de cada negócio para estabelecer um projeto que seja eficiente do ponto de vista estratégico

 

Algumas organizações e muitas de suas lideranças não estão totalmente preparadas para obter dos projetos de TI o desempenho desejado e ainda acreditam em modelos prontos, causando descompasso na gestão e desperdício financeiro.

 

Por esse motivo vejo um futuro imprevisível para os departamentos de TI  tendo por expectativa o mundo de comunicação por rede: web, laps, integração de canais eletrônicos de vendas e serviços, caixas automáticos e celulares altamente desenvolvidos.

 

O grande vilão da história é sempre o departamento TI, porém já é, sem tempo, o olhar sistêmico ser condição de sucesso nas estratégias empresariais,  exigindo do profissional a competência além do olhar técnico. No passado quanto mais técnico melhor. Hoje o valor profissional se constitui na capacidade de enxergar o  necessário para o dia seguinte, ano,  década; o  que a concorrência está fazendo e o olhar não mais o equipamento mas o processo na operacionalização que beneficia qualidade do serviço e o consumidor - por vezes até terceirizar e ganhar mais com a cooperação.

 

Por isso sistemas que tem no seu conceito a complexidade como fator básico de eficácia: CRM e ERP´s impõem desafios ao negócio, principalmente na mudança de processos organizacionais.

 

Para ajustar a reflexão fui buscar uma boa fonte de Gestão em TI e encontrei uma muito boa de fácil absorção. “Governança em TI” de  Jeanne W. e Peter Weill,  é excelente leitura para quem busca pensar sobre quais decisões devem ser tomadas para garantir o uso e uma gestão apropriada da TI, por quem e como estas decisões devem ser tomadas e monitoradas. São levantadas questões que valem a pena, vejamos:

 

·          Quanto gastar?

A questão é mais metodológica do que propriamente financeira. Primeiro a se perguntar sobre função de TI no meu negócio e os resultados esperados para, posteriormente,  buscar o que de fato resultou satisfatoriamente no setor de atuação. A pesquisa pode ser um inicio para sustentar e nortear a tomada de decisão, porém, como as metas variam de empresa para empresa é natural o valor de investimento também variar. Deve-se, portanto, antes de perguntar quanto gastar, que estratégia adotar segundo meu “core business”.

 

·          A que processos do negócio aplicar a verba de TI ?

Parece que são aqueles que tem impacto significativo.... e a diretoria teima em perguntar para o departamento de TI quais são eles ? Vamos lembrar que do negócio quem “entende” é a diretoria, os envolvidos na TI executores, seja 1 ou 20 projetos determinados como meta ou atividade.  Mas quando ocorre problemas de resultados a equipe de TI é a primeira a ser desmoralizada. A incapacidade da diretoria em definir TI para o negócio e suas  prioridades ainda é a maior causa de desastres e frustrações

 

·          Que funções de TI tornar comuns a toda a empresa ?

Nem sempre o desenvolvimento de padrões de dados resultam na eficácia de gestão. Deve-se levar em conta a regionalidade, a potencialidade e a operacionalização das áreas de acesso. Isto é, muitas vezes a limitação proíbe suprir a necessidade do cliente em relação ao serviço consumido. Portanto, a diretoria de qualquer empresa, centralizada ou não, deve avaliar continuamente o equilíbrio entre os recursos de TI universais e os exclusivos de cada divisão

 

·          Quão bons devem realmente ser os serviços de TI ?

Varia de acordo com a plataforma conceitual de seu negócio e as inconveniência que ocorrerão caso não se cumpra o prometido ao cliente.  A questão de o quanto posso confiar e dar segurança ao meu negócio. Uma empresa de investimento vai colocar todo seu empenho num sistema de transações que não caia e coloque em risco o volume de dados coletados; uma empresa de loterias não pode abrir mão de agilidade: o apostador  deverá receber os bilhetes em cinco segundo. Muitas vezes penalidades são impostas caso não ocorra.  O lanche que não sair em 3 minutos não será pago pelo cliente: quem não se lembra dessa campanha do McDonalds. Quanto era bom o sistema de TI para cumprir o prometido?  O segredo é avaliar os problemas à luz dos custos de prevenção.

 

·          Que riscos serão aceitos à segurança e à privacidade ?

A questão envolve não só custos maiores mas inconveniência maior, pois a relação depende diretamente  do nível de privacidade desejada. O tema merece muita discussão do ponto de vista ético e fundamental para a ampliação de serviços via internet.

 

·          Quem culpar caso uma iniciativa de TI fracasse ?

A relação está diretamente ligada a questão da estratégia de gestão do negócio, porém não menos relacionada à responsabilidade dos profissionais de TI para ajudar o norteamento empresarial. È  fácil procurar culpados ou “que cachorro vou chutar”, difícil é fazer uma autocrítica e redirecionamento de  potencial . O problema é supor que “nichos” de saber específico são responsáveis pelo sucesso ou fracasso de algo na empresa. O foco é outro: as mudanças que se espera é na interpretação dos processos internos o que deriva de uma visão sistêmica e fundamentada na satisfação do público/cliente.

 

Então valeu a pena chegar até aqui? Pois bem, se você está pensando em qualidade e competitividade e, para isso, vai implantar um projeto de TI, não se esqueça que a sua sustentação vai além da técnica aplicada, o fator humano ainda é chave para o sucesso. Pense nisso na hora de operar ou implementar seu plano de Tecnologia da Informação. 

 

 

    


Cláudio Andrade é Mestre em Comunicação Social pela ECA/USP, pós- graduado e MBA em Gestão de Pessoas e Gestão do Conhecimento, professor da ESPM, Belas Artes de São Paulo, consultor na área de educação para IES e Governança Corporativa, instrutor Máster do Instituto ETHOS, suplente na Câmara de Deputados/SP. Profissional de Comunicação experiente de mercado com serviços prestados nas áreas de Turismo, Transporte e empresas multinacionais e nacionais de médio e grande portes e instituições de ensino superior-públicas e privadas.