PISTAS DE BOM GERENCIAMENTO PESSOAL

Muitos querem fórmulas para gerenciar suas vidas. O importante não são as receitas, mas os processos vivenciados, os paradigmas que orientam nossas ações. Podemos, sem cair em esquemas simplistas, apontar algumas pistas que nos orientam sobre se estamos gerenciando bem nossos processos de comunicação no nível pessoal, grupal e social.

ESTAR EM PAZ
Evoluímos mais se normalmente conseguimos sentir-nos em paz, independentemente das circunstâncias concretas que vamos enfrentando. Se os problemas que aparecem não tiram a tranqüilidade de fundo, mesmo que nos afetem momentaneamente. Paz não é sinônimo de acomodação ou indiferença. Paz é o resultante de uma síntese equilibrada de vida, de estar bem consigo mesmo e com os outros, de encarar de forma aberta a vida.

Evoluímos mais se estamos em paz conosco, aceitando-nos de verdade como somos, encontrando o nosso eixo, nosso ponto de equilíbrio, de integração. Se estamos em paz com os convivem conosco, aceitando-os como são, interagindo com eles da melhor forma possível, sem agressividade e ressentimentos. Se estamos em paz com o nosso ambiente, com a paisagem urbana e a rural, com as plantas e animais, com o universo como um todo.

Se estamos numa postura fundamental de expansão, de abertura, de crescimento, sentiremos mais alegria que tristeza, mais paz que inquietação. A alegria interior não depende basicamente das circunstâncias. Não caminhamos entre picos de exaltação e de tristeza, mas conseguimos manter uma atitude de paz, alegria, confiança, mesmo em momentos difíceis.

MAIOR INTEGRAÇÃO
Estamos gerenciando melhor nossa comunicação se conseguimos caminhar na direção de uma maior integração em todas as dimensões: nas sensações, emoções, idéias, intuições; na relação pessoal, grupal e social.

Se sentimos que estamos no comando das nossas ações, que decidimos o que acreditamos ser melhor em cada momento, sem deixar-nos levar por modas e por outros tipos de pressão; se equilibramos compreensão e julgamento, procurando entender o ponto de vista do outro e aproximá-lo ao máximo do nosso.

É importante aprender a gerenciar as forças contraditórias que pululam dentro e fora de nós. Procurar integrar, organizar, coordenar, arrumar, encontrar um sentido para as diferentes forças, idéias, tendências, energias que nos cercam, que nos ameaçam, que nos puxam em várias direções. Procurar encontrar e manter o nosso núcleo integrador, nosso eu autêntico, profundo, nosso self, a partir do qual percebemos, sentimos, avaliamos, decidimos, interagimos. Se conseguimos definir, organizar esse núcleo pessoal mínimo torna-se muito mais fácil lidar com o caos, com as informações desencontradas, com as contradições, com as ameaças.

O ponto de partida para sair de onde estamos, para melhorar nossa vida é aceitar-nos, aceitar o que fizemos até agora, aceitar o nosso passado, a nossa trajetória, os caminhos percorridos, com todas as suas implicações, aceitar o que nos ajudou e o que nos complicou, o que consideramos acertos e erros, aceitando-nos como pessoas no seu conjunto.

Evoluímos mais quando conseguimos integrar o passado e o presente, o individual e o grupal, o material e o espiritual, o trabalho e o lazer, o presencial e o virtual, o tradicional e o inovador, o que está organizado e o que está desestruturado. Evoluímos mais quando integramos nosso “eu” dividido; quando aceitamos nossas contradições, nossos diversos papéis, expectativas e realizações, nossas qualidades e defeitos.

A integração de atividade e reflexão, de eficiência e concentração, de razão e intuição é um caminho promissor de evolução pessoal. Podemos alternar momentos de relaxamento, de meditação com outros de atividade, de procura de resultados; atitudes “zen” com atitudes de dinamismo intenso. Quanto mais conseguirmos juntar a atitude fundamental de paz e reflexão com a atividade das realizações concretas, mais evoluiremos e melhores resultados colheremos em todos os campos da vida.

Esse processo de ação-reflexão, embora tenha muitas formas de expressão, podemos denominá-lo de processo de interiorização, de ir percebendo formas mais e mais complexas e profundas de compreensão da realidade e de comunicação conosco, com os outros e com o universo como um todo.

As formas concretas de integrar esses dois modos de viver, essas duas filosofias básicas, dependerão muito da personalidade de cada um, da sua história de vida. Mas é importante fazer experiências de integração onde nos sintamos confortáveis, que não forcem violentamente nossa forma de ser, que acrescentem, mas não sufoquem aquilo que já fazemos bem. Integrar, acrescentando e não diminuindo.

Para que esse processo de interiorização evolua satisfatoriamente, vale a pena estar com as nossas antenas ligadas, nossos canais sensoriais, intuitivos e de organização do conhecimento abertos. Estar atentos (de forma tranqüila, mas atentos) a captar informações soltas, dispersas nesse múltiplo contato com tantas realidades distintas com que vamos entrando em contato.

Fonte: José Manuel Moran - Mudanças na Comunicação Pessoal.