O celular no teatro, restaurante, sala de aula e.... nos eventos!


Assunto delicadíssimo e sempre atual, a utilização da telefonia móvel indiscriminadamente, a qualquer tempo e hora provoca arrepios, mal estar, espanto e muita coisa mais. Veja o que pensa, e escreve, uma das mais experientes cerimonialistas brasileiras, Gilda Fleury Meirelles.

 

“Mais um ano se foi, e novamente todos juntos nos congressos. Como todo evento, sinônimo de atualização, sucesso, patrocínio, vitória e união. É o momento do reencontro, de mostrar as novidades alcançadas pelo setor no decorrer do ano. Realizações. Novos postos. Nova vida. E quem não gosta? Ser famoso? Fascinante? Nem que seja por um dia, por uma palestra? Tudo isso, mas também, ser reconhecido. Afinal, toda vitória precisa ser mostrada, compartilhada, vista. E nada melhor do que nesse momento, onde todos que saberão apreciá-lo - ou deveriam saber - estão presentes. Adeus banalidades do dia-a-dia. Levar crianças ao colégio? Sair mais cedo para pegar aquele teatro? A empregada saiu, faltou? Por favor, poupem o congressista. Nesses dias, todos estão acima dos detalhes. Trajes elegantes, Vila Romana, Hugo Boss... não, Armani. Tailleurs.... Versace, agora está em alta. Sapatos e cintos, de preferência italianos. Bolsa, Louis Vuitton. Perfume, lavanda ou colônia? A melhor, que fixe, deixando aquele aroma sensual. Barba bem aparada, cabelos perfeitos, tudo pronto. Ah! falta o celular - de preferência o menor que houver no mercado - mas, na cintura, para que todos o vejam. Agora, sim, tudo pronto. Tão lindos, empolgantes; homens e mulheres profissionais. Afinal, quem não quer se destacar; ser visto e reconhecido? Se for palestrante ou moderador, melhor. E, na ânsia de aparecer, mostrar sua vitória, o posto alcançado e que nós tão bem compreendemos, é que tudo se perde.

O Mestre de Cerimônias inicia:

“Senhoras e senhores, autoridades presentes. Estamos dando início a ........

                  trim...trim......trim...............

                 - É o meu celular.

                 - Não, é o meu.

                 - Psiu. Quero ouvir. Saia para atender.

.....mais uma edição do Congresso......”

                   trim...trim! Mais um celular.

                 - É o seu. Atenda logo!

                 - Psiu! Psiu!

Pronunciamento concluído, nada foi escutado. Somente as chamadas dos muitos celulares. Status ou praticidade? Talvez os dois, mas utilizado de maneira errada. Não seria melhor, delicadamente, abrir o telefone no primeiro toque e sair da sala para atendê-lo? Ou deixar o “vibracall” ligado? Privacidade para você, respeito aos colegas.

Chega o intervalo para o coffee-break. Um corre-corre danado. Todos, tão elegantes, mas tão esfomeados. E o celular que não pára de tocar, impedindo aquele papo agradável, a confraternização, geralmente o maior e melhor objetivo do encontro.

Retorno ao plenário. Novas palestras, novos debates, reciclagem, troca de experiências, novos conhecimentos. Todos crescem, mas o celular também, que continua tocando.

O Mestre de Cerimônias reinicia:

“Dando continuidade aos nossos trabalhos do dia, tenho a satisfação de convidar....”

                  trim.... trim......trim.......

- “Oh! é o meu celular”, afirma sem constrangimento o próximo palestrante, contribuindo para o aumento das conversas paralelas, do burburinho no auditório e para o resultado negativo do acontecimento.

Vamos aproveitar os congressos e todos os eventos; viver, encontrar, crescer e aparecer. Sem celulares tocando, sem interrupções muitas vezes desnecessárias, respeitando a todos, para que respeitem você. Isso é etiqueta? Não. São exigências do protocolo; é a postura empresarial adequada do profissional vencedor.” .

É, parece que tudo continua como “dantes no quartel de Abrantes”. Será que tem jeito?

Fundamental (OL)

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