Novos retratos


 

Você com certeza não é uma exceção e que não tenha um vizinho, um tio, um amigo ou mesmo seus pais com idade avançada. A nova realidade etária no Brasil e em muitos países se mostra cada vez mais crescente em termos de população idosa.

Com o avançar da idade novas realidades e necessidades surgem num cenário que, embora, utopicamente pudesse se mostrar como favorável, muitas vezes se mescla com cores um tanto sombrias.

Qual o futuro de nossos velhos? Nosso país está preparado para suportar a nova realidade que começa a se formar em nosso território? E as políticas sociais voltadas para a terceira idade, já estão sendo praticadas?

Nossos problemas sociais há anos vêm sendo tratados pela óptica populista, com governos supostamente preocupados em colaborar com o abrandamento das dificuldades. No entanto, os interesses particulares sempre sobrepujam os idealismos confortantes.

Em que podemos nos apegar ou acreditar?

Nossa sociedade ainda não se deu conta que estamos mais velhos e menos férteis, tanto de idéias quanto de paixões. Criamos menos e nos sujeitamos mais. Nascemos menos e nos empobrecemos mais. Precisamos urgentemente reiniciar discussões sobre o envelhecimento da população brasileira, não de uma ordem puramente médica, com determinismos fisiológicos, patologias avassaladoras, convenções a portas fechadas.

Nossa nova ordem inclui um olhar mais sensível, associado a questões mais abrangentes. Nossas utopias deverão ser libertas de nosso ideário  egocêntrico e atingir a maturidade da criação real. Ficarem reclusas em nossa sapiência é um acinte à contribuição coletiva.

Envelhecemos a cada instante. E essa, é uma verdade universal, irreversível. Nosso envelhecer irá afetar a todos sem distinção.

Como estudar fórmulas mais justas de engajamento político-social para este assunto tão importante? Não se pode eximir nossa culpa pelas inadequações políticas dos atos proferidos pelos nossos políticos, uma vez que votamos neles. O amadurecimento político infelizmente vem com o tempo e a duras penas.

Nosso estatuto do idoso surgiu como um salvador para os males a tanto proclamados. Infelizmente o que se vê é uma dicotomia entre ações efetivas e neologismos eleitoreiros.

A quem culpar? Nós somos os grandes lobos-maus. Mas há um perdão. A ignorância assola boa parte de uma população sofrida, às vezes, acomodada.

Não se pode fazer mudanças sem mágoas ou sofrimento. Não a uma revolução armada e sim a uma revolução intelectual. Educar é preciso. Saber que nosso queixo pode se angular a 90° com o pescoço e nos permitir olhar adiante é fundamental para uma revolução de cidadãos.

Nossos novos velhos já estão com seu estatuto pronto. Nosso dever como cidadãos é fiscalizar, pois nossa resignação será menor se esta legislação estiver no mínimo garantida.

 

 


 

Rogério Clóvis de Oliveira é Diretor Técnico do Hospital Santa Maggiore, mestrando em Gerontologia pela PUP-SP, com formação em clínica médica, extensão em Geriatria e Gerontologia e MBA em administração hospitalar pelo Centro Universitário São Camilo.