Caminhando por uma cidade como São Paulo, não é difícil perceber
como os eventos culturais patrocinados por marcas corporativas são
utilizados como ferramenta de comunicação em larga escala. Ao
olhar um anúncio ou receber um convite, sempre me questiono se
grande parte do mercado entende que Marketing Cultural é muito
mais que em evento utilizado como ferramenta de comunicação.
É verdade que a principal engrenagem desta valiosa forma de
marketing tem como movimento as expressões artísticas, uma
infinita gama de possibilidades que vão desde shows, peças
teatrais e concertos, até espetáculos inovadores como o de dança
vertical, no qual os bailarinos, suspensos por cabos de aço,
executam uma coreografia ao som de uma orquestra. Uma montagem
dessa natureza, inclusive, foi realizada pela Dançar Marketing
para a IBM, sendo o próprio prédio da empresa em São Paulo, o
palco da apresentação. Um momento único de deslumbramento do
público. Quanto vale isso para uma marca?
Volto ao ponto inicial: qual a diferença entre uma ação de
comunicação e o marketing cultural? Toda. O marketing cultural é
um planejamento estratégico para a empresa, que utiliza como meio
a cultura. Construído para alcançar os objetivos propostos pela
marca, esse tipo específico de marketing pode construir ou
reposicionar imagem, agregar valor, potencializar atributos
reconhecidos e estabelecer uma aproximação entre a empresa,
comunidade, clientes e públicos de interesse.
O Avon Women in Concert é um belo exemplo desse casamento entre os
objetivos da empresa e o planejamento apresentado. O patrocinador
visava à valorização da mulher e a sofisticação da marca, ao mesmo
tempo em que precisava atingir o grande público. O projeto
proprietário foi construído, portanto, com base numa orquestra de
mulheres, grandes solistas femininas – nacionais e internacionais
– e apresentações gratuitas em parques, praças e praias. Mas o
planejamento não se resumia ao evento, ao contrário – o evento era
o trampolim para diversas outras ações da Avon.
O marketing cultural, quando bem utilizado, gera inúmeras outras
possibilidades de comunicação, inclusive a integração com outras
ações e mídias como o marketing viral, a telefonia móvel e a
internet. Por isso, torna-se fundamental estudar o ambiente da
empresa, seus valores e a estratégia de marketing para que o
planejamento desenhado traga o retorno esperado.
Como na teoria tudo sempre é muito simples, falemos da prática.
Qual é o papel, então, da agência de marketing cultural, já que a
própria empresa detém as informações de seu planejamento de
marketing tradicional? Essa é justamente a prática. Em tese, quem
mais entende da marca é a própria empresa e por isso mesmo que ela
necessita do auxílio da agência de marketing cultural, que traz
todo o know-how de anos de experiência na área e todo o
conhecimento da adequação de artistas e espetáculos às
expectativas do cliente, ao budget proposto e às leis de
incentivo. Não só. A agência pode ainda propor ações paralelas
para potencializar o alcance do evento e ainda captar recursos
quando o cliente busca um investimento menor que o necessário para
a ação desejada.
Vale a pena levantar aqui um ponto que faz toda a diferença para
quem ainda duvida das vantagens do marketing cultural e do seu
potencial como estratégia de marca: a mídia espontânea. Que outra
ferramenta permite que uma empresa, com 100% de isenção fiscal,
possa ter um retorno da ordem de milhões de reais em mídia? E
quanto vale tudo isso num mundo tão competitivo como o nosso, com
tantas marcas disputando um lugar ao sol?
Em mais de vinte e cinco anos nesse grande palco do marketing
cultural, percebo que a iniciativa privada começa a perceber mais
a fundo a grandiosidade dessa ferramenta e as infinitas
possibilidades que ela coloca em cena. Vejo isso estampado no
público de mais de 70 mil pessoas no Parque Villa Lobos, num belo
domingo de sol, que foram conferir as apresentações do Telefônica
Open Jazz no ano passado. Uma oportunidade que muitas outras
empresas também começam a buscar e já estão colhendo os
benefícios.
Por Pedro Bianco
FUNDAMENTAL
A Revista de Negócios em Eventos (OL)