Máquinas
potentes, como o Porsche Carrera, estão na mira dos europeus. A
comissão européia que trata da legislação ambiental propôs,
durante a realização do Salão do Automóvel de Genebra, esta
semana, que uma nova regulamentação entre em vigor ainda neste
semestre, determinando uma drástica redução das emanações tóxicas
na frota européia. Até 2010, será permitido aos automóveis liberar
até 130 gramas de monóxido de carbono por quilômetro rodado. Um
Porsche Carrera, por exemplo, com motor de mais de 400 HPs,
despeja na atmosfera mais de 300 gramas de monóxido de carbono por
quilômetro rodado. Há uma relação direta entre a potência e a
poluição ambiental. A regra é simples: quanto maior o número de
HPs, maior a poluição ambiental. Isso deixa a indústria
automobilística alemã numa situação desconfortável, porque produz
os carros mais potentes do mundo. O Bugatti Veyron, superesportivo
produzido pela Volkswagen, tem um motor de 16 cilindros e 1.100
HPs. Estima-se que o Veyron deixe na atmosfera, a cada quilômetro,
uma mistura indigesta de monóxido de carbono e dióxido de carbono,
na medida de mais de 450 gramas por quilômetro. Pela nova
legislação da comunidade européia, esses carros não poderão mais
rodar pelo continente, mas eles poderão ser exportados aos países
coniventes, geralmente os emergentes dos mundos inferiores.
O presidente mundial da DaimlerChrysler, Dieter Zetsche, afirmou
no Salão de Genebra que a nova legislação causará prejuízos de
bilhões de dólares às montadoras alemãs, gerando a demissão de
milhares de operários. Pediu um prazo maior à comissão européia,
afirmando que essa discussão não pode ser 'nem histérica, nem
irracional'. Porém, irracional é a produção de automóveis com
1.000 HPs, como o Bugatti Veyron e outros. (RR)
Fonte:
Correio do Povo/RS