Eventos proprietários como experiência com a marca

Um ex-torneiro mecânico e uma jornalista no mundo do marketing carioca!

A importância de gerar experiência do consumidor com a marca está levando muitas empresas a investirem em eventos proprietários. Nesse meio, a agência Rio360 virou referência para esse tipo de ação depois do sucesso do case Red Bull Air Race, realizado em 2007 no Rio de Janeiro. Após um ano e meio de planejamento, a corrida de aviões atraiu mais de 1 milhão de pessoas na Praia de Botafogo. Durante sua palestra no III Marketing 360, no Rio de Janeiro, Gaetano Lops, sócio-diretor da Rio360 Comunicação, explicou que o caráter grandioso, inovador e relacionado aos conceitos da marca foi o fator de sucesso do evento. O objetivo era gerar lembrança após a corrida e, conseqüentemente, da marca, algo que a Red Bull não havia conseguido com o Red Bull Giant of Rio, corrida em que os participantes se revezavam em modalidades diferentes de esportes, realizada em 2004. Para reforçar o Red Bull Air Race na cabeça dos cariocas foram distribuídos materiais promocionais para divulgar a ação em escolas, boates, restaurantes, livrarias e praias, entre outros espaços. "Como era algo inovador, havia o risco das pessoas não entenderem e por isso não se interessarem pelo evento", conta Gaetano Lops. No ano seguinte, a crise aérea no Brasil, com a trágica queda de dois aviões em um intervalo de poucos meses, além da busca por inovação levou a Red Bull, ainda em parceria com a Rio360, trocar o avião pela moto. O Red Bull X Fighter levou motoqueiros para o Sambódromo para uma competição de manobras radicais. Para isso, nove toneladas de terra foram usadas para a que foi considerada a maior e mais difícil pista da competição. Dessa vez, o desafio de vender ingresso não impediu o sucesso de público no evento, que atraiu 30 mil pessoas. O novo evento também teve como preocupação o foco no consumidor, possibilitando a contagem de embalagens de Red Bull vendidas, algo que não era possível fazer no Red BUll Air Race. O sucesso de ambos os eventos levou a agência a ser vista apenas pelos grandes eventos. "Mas fazemos eventos de todos os budgets e portes, pequenos ou grandes, além de oferecer outros serviços como lançamentos de produtos e shows exclusivos para clientes", explica Gaetano. O III Seminário Marketing 360º é patrocinado pela Sun MRN Worldwide, Copernicus Marketing Consulting, Dinamize e TNS InterScience.

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Almas cariocas genuínas

Ele nasceu no Rio Grande do Sul e ela em São Paulo, mas os dois têm a alma carioca. Ela é jornalista e ele já foi torneiro mecânico, judoca e modelo, mas hoje eles são mesmo é marqueteiros. Gaetano Lops e Eliana Santa Rita comandam, ao lado de Ricardo Gertrudes, a agência de marketing promocional Rio 360 Comunicação, que vem se destacando num cenário composto pela Baía da Guanabara, o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor.

Gaetano Lops foi operário, mas não tem aspirações políticas.
É casado com a cantora Elba Ramalho, mas o negócio dele é fazer do marketing promocional o seu ofício. Já a diretora de operações da Rio 360, Eliana Santa Rita, uniu duas paixões.
Trabalhar com marketing na cidade que ela ama, o Rio.

 

Antes de subir ao 14º andar da Torre do Rio Sul, onde trabalham e contemplam as vistas maravilhosas da cidade, os dois já fizeram de um tudo nesta vida. O gaúcho Gaetano - que tem água quente e erva-mate no escritório para fazer chimarrão -, entrou para o mundo do marketing, como ele diz, por acaso. Primeiro quase se formou em engenharia elétrica. Depois, ainda na adolescência, trabalhava como metalúrgico e fazia judô até que um dia resolveu mudar tudo. “Vim morar no Rio para treinar e tentar a vida de modelo que iria me dar uma remuneração maior do que trabalhar como torneiro mecânico”. Na Cidade Maravilhosa, Gaetano passou a competir no judô, recebeu um convite de Sergio Mattos para se juntar ao time da Elite e conheceu sua esposa, a cantora Elba Ramalho. “Foi quando comecei a trabalhar no show business, trabalhando como assistente, produtor, até virar empresário e sócio da Elba e do Cidade Negra”, explica. “Comecei a ver o outro lado do palco nos shows que a Elba faz para empresas e passei a me relacionar com o marketing promocional”, diz.

Mas, para Gaetano, o mercado do Rio ainda estava precisando de uma empresa que fizesse um giro de 360° por toda a comunicação. “Foi quando resolvi abrir uma empresa para fazer eventos. Daí, descobri que poderia abrir o leque do marketing promocional”, afirma o diretor-geral da agência que utiliza as ferramentas de marketing com um toque carioca. Para isso, o executivo foi buscar no DNA do Banco de Eventos uma fórmula que, adicionada ao sol e à praia carioca, resultaria no sucesso da agência. Um dos grandes arquitetos da Rio 360, ao lado de Gaetano, é o empresário José Victor Oliva, do Banco de Eventos, de onde veio Ricardo Gertrudes para cuidar da criação da agência. Victor também apresentou a paulista Eliana Santa Rita para entrar no negócio como sócia e diretora de operações. Paulista não, carioca. “Sempre tive encantamento e uma relação de alma com o Rio de Janeiro. Sempre tive clientes aqui, passei férias e tenho muitos amigos cariocas”, ressalta. “Brinco que nasci erradamente em São Paulo porque tenho a alma carioca. E as pessoas daqui da 360 dizem que sou a paulista mais carioca que eles conhecem. Tenho jeito de carioca e o humor do carioca. Moro na Urca, trabalho na Torre do Rio Sul, vou à praia no posto 9 de Ipanema e tomo chopp no Bracarense”, fala.

Antes de ficar bronzeada e jogar conversa fora no Leblon, a jornalista – filha do marqueteiro político Chico Santa Rita - trabalhou como repórter e redatora da Rádio Jovem Pan AM de São Paulo e nas redações da TV Record e Bandeirantes. Depois, não teve jeito, foi parar na política, produzindo os programas de TV de candidatos e showmício. “Foi aí que me apaixonei por eventos, mas queria trabalhar com produtos e na iniciativa privada porque achei que a política marcava demais a pessoa enquanto jornalista”, conta. Em seguida, Eliana foi para a Miksom, empresa paulista de eventos, onde ficou por três anos. “Lá foi a minha grande escola, onde entendi a fazer eventos de grande porte trabalhando com grandes clientes”. Ainda assim, a executiva achava que tinha que ampliar os horizontes. Foi para a AV Produções como diretora de atendimento de onde saiu para abrir a sua empresa em 2003, a CorpE. “Comecei a trabalhar o marketing para construir uma marca, agregar valor a esta marca, planejar, fazer um plano de negócio para saber como essa empresa iria funcionar, quais as metas, quais segmentos iríamos trabalhar, quais as estratégias de marketing iríamos utilizar para posicionar a empresa”, explica. Nesta época, Eliana fazia trabalhos para a Goodyear, GM, Pirelli, Fiat, Adria e Citibank, mas os outros rumos que a empresa estava tomando não a deixavam feliz e o convite de Oliva caiu como uma luva. Na Rio 360, Eliana fica com um olho na paisagem maravilhosa e com o outro em todos os briefings da agência para poder partir para o planejamento e traçar as rotas que devem ser seguidas para entregar um serviço. “Esta parte tem que ser bem feita para partimos para a execução sem sangrar. Tem que suar antes para tentar evitar o sangramento. Depois, é só administrar a execução. No Réveillon, chegamos a lidar com cem fornecedores e a trabalhar diretamente com cerca de mil pessoas”, adiciona, relatando que a agência teve que coordenar a montagem dos três palcos móveis para o show nas pistas da Avenida Atlântica em menos de 12 horas. “Foi um esquema de guerra. Não dava para atrasar o evento porque à meia noite explodiam os fogos”, diz.


Eliana é rata de praia. Chega em Ipanema às 9 da manhã
e só sai quando o sol está baixando para ir ao Bracarense, no Leblon.
Também, quem vai querer sair de um lugar desses?

 

“Fazer um evento é um acontecimento ao vivo. Não é como um anúncio que é aprovado mil vezes antes de ser publicado. Tem que ter um planejamento estratégico enorme porque não se pode fazer as coisas da noite para o dia”, fala o gaúcho flamenguista Gaetano, que nunca estudou marketing, mas aprendeu no dia-a-dia. “Não tenho as bases normais de uma faculdade, mas tenho muita prática. Não inventamos ferramentas novas, mas conseguimos novas formas de utilizá-las. Nossa idéia é trabalhar com um conceito de 360° em comunicação para cada cliente, independente do tamanho”, diz, referindo-se aos 40º do calor carioca multiplicados por nove áreas de trabalho: eventos, lançamentos, assessoria de imprensa e RP, show, convenções, ponto de venda, campanhas e viagens de incentivo, estandes e promoções.
E haja pique. “Tenho um escritório aqui do lado que cuida da Elba e um outro que cuida do Cidade. São equipes diferentes, vou lá, eles vem aqui e vira uma salada de frutas maluca, mas que vem dando certo. Estou correndo das 6h às 7h, treino judô das 7h às 8h, 8h30 já estou na agência e só saio daqui quando acaba o trabalho, por volta das 21h”, conta Gateano.

Por Guilherme Neto
Fonte:Mundo do Marketing/ foto divulgação mmkt