1. ‘Below the line’ é a PQP
Nada me deixa mais irritado! Tenho orgulho deste negócio
e o faço com muito amor. A propósito, ele se chama
marketing promocional, como o próprio nome de nossa
associação, a AMPRO (Associação de Marketing
Promocional), já diz. Além disso, não estamos abaixo (below)
de nenhuma outra forma de comunicação. Muito pelo
contrário!
Pesquisas realizadas recentemente apontam um significativo
crescimento do nosso mercado e a participação efetiva do
Marketing Promocional na plataforma de comunicação das
grandes empresas. Com isso, a verba destinada à promoção já
se equipara a da publicidade e isso só contribui para que
sejamos vistos como estratégicos, e não eventuais.
Não podemos esquecer que nossas ações acontecem ao vivo, o
que exige um consistente trabalho de planejamento
estratégico que garantirá a entrega perfeita daquilo que
vendemos. Isso não pode ser feito por qualquer um, mas por
profissionais altamente qualificados que estão, de fato,
acima (above) da média e devem ser valorizados por isso.
2. Relação com as agências de publicidade
Sou fã das agências de publicidade! Elas sabem, realmente,
como se promoverem. Recentemente, a ABAP (Associação
Brasileira das Agências de Publicidade) promoverá seu 4º
Congresso depois de 40 anos. Então, pergunto, por que o
‘above the line’ está fazendo o que fazemos todos os dias:
rediscutir o negócio?
Muito me perguntam qual seria a relação perfeita entre o
Marketing Promocional e a publicidade. Trabalhar para,
trabalhar junto, pertencer, ser comprado, comprar. Acredito
que não existe uma fórmula!
A verdade é que os diretores de Marketing evoluíram muito
nos últimos 30 anos e já conhecem bem outras fórmulas de
comunicação. Eles têm escolhido seus parceiros, com foco nos
melhores resultados, independente de haver, ou não,
alinhamento com suas agências de publicidade. A relação de
contas está cada vez mais tênue em todos os setores e jobs
bem sucedidos aproximam fornecedores e clientes.
3. Gente
Sempre que chego a uma de minhas agências e vejo os
computadores desligados, as cadeiras vazias e não ouço nada,
além de um grande silêncio, percebo o quão importantes são
as minhas pessoas. Todos os dias, antes de ir embora, rezo
para que todos voltem no dia seguinte, pois eles são tudo
que tenho – passado, presente e futuro.
Em 2000, convidei oito para serem meus sócios. Decisão muito
acertada, pois meu faturamento subiu mais de R$ 60 milhões.
Acreditar em nossas pratas da casa é fundamental e, por
isso, anualmente realizamos um programa de trainees, de onde
saem alguns de nossos principais talentos. Talvez, fosse
mais fácil ‘roubar’ as pessoas dos concorrentes e não ter
trabalho com treinamentos e explicações. Mas não fazemos
isso, porque preferimos formar profissionais com a nossa
pegada, o nosso jeito de trabalhar.
Acho, inclusive, que seja esse o motivo para a concorrência
sempre procurar as pessoas que formamos. O estranho, é que
nunca me pediram referência e muitos não deram certo, o que
para mim é óbvio. Se fossem bons, ainda estariam conosco.
4. Honorários
Em agosto de 2007, o Banco de Eventos viveu um momento
diferente. Foi convidado a participar da concorrência para
execução da Festa de Fim de Ano de uma grande empresa
nacional, cujo budget era de R$ 4 milhões. Tentador, não
fosse algumas especificações do cliente, em termos de
pagamentos, que contradiziam os processos habituais da
agência. Então, a diretora-geral Andréa Galasso, teve a
infeliz missão de informar sua desistência no projeto.
É difícil não participar, mas se não tivermos firmeza,
responsabilidade e transparência, não cresceremos, não
reinvestiremos e, principalmente, não lucraremos. De cada
100 agências, após cinco anos, apenas três se mantêm vivas.
5. Concorrências
Concorrências fazem parte do nosso dia-a-dia, porém custam
tempo e dinheiro. O cenário ideal – concorrências pagas –
está muito distante, mas esperar que elas sejam
transparentes, respeitosas, motivadoras e regradas não é
pedir muito. Falta de prazo, briefings mal feitos, bois de
piranha (concorrências com vencedor pré-definido), agências
de níveis diferentes, dumpings, leilões e subornos são o
câncer do nosso negócio.
6. Bullshitagem
Conceitos viajantes, termos em inglês, complicações. Você
entra no site das empresas para saber o que elas fazem e
precisa de um tradutor. Apresentações de projetos ficam
‘bonitas’, mas incompreensíveis. Estamos complicando o
óbvio. O que o cliente quer – e precisa – é de objetividade
e, afinal, o marketing promocional é simples, direto e
eficaz.
7. Quando chamar uma empresa de Marketing Promocional?
Ainda não somos vistos como estratégicos, mas como eventuais
e só nos acionam em emergências ou para suporte. Se a
publicidade não vende, chamam a promoção. Se um produto
encalhou ou é ruim, chamam a promoção. Não deveria ser
assim!
As coisas estão mudando e esperamos que caminhem para a
situação ideal, em que estaremos com os clientes desde o
começo de seu planejamento, afinal, quem pode dar a melhor
idéia? Talvez venha daí o termo below the line...
8. Promovendo a promoção
A AMPRO encomendou uma pesquisa à Ibope Solutions e o Banco
de Eventos outra. Os resultados impressionam. Na pergunta
‘Qual o termo mais utilizado para se referir a esta área?’,
a primeira colocação ficou com a palavra ‘Promoção’. Mas,
além dela, outras oito apareceram, com porcentagens bem
distribuídas. É uma verdadeira bagunça!
Promover a promoção é divulgar a cultura promocional, nossa
ousadia, nosso planejamento e nossos resultados, para o
pessoal de Marketing, vendas, trade Marketing e promoções.
Eles detêm 80% da decisão da necessidade de uma ação
promocional.
9. O que o cliente quer?
O cliente quer criatividade e inovação (conhecimento do
negócio e sugestão de coisas alinhadas), custos
(flexibilidade e transparência), controle (gerenciamento das
ações), prazos (entrega), rapidez (senso de urgência) e
experiência e notoriedade (tempo e reputação, ao contrário
de fama e oba-oba).
Além disso, é preciso melhorar, ainda mais, algumas coisas,
como o pós-venda, a perfeição da entrega, a customização de
ações e os custos.
10. Certificação AMPRO
Depois de tudo que foi levantado, vejo a Certificação AMPRO
como esperança para resolver vários destes problemas. A
AMPRO tem legitimidade para classificar e desclassificar a
todas as empresas, mas o critério tem que ser realista,
transparente e bem definido.
Já sugeri um código de conduta para os afiliados da AMPRO e
sugiro, também, melhores práticas, tabelas de honorários
mínimos e sugestões de fornecedores socialmente
responsáveis.
Seja ranking ou selo de certificação, devemos dar atenção ao
fato de, no mercado promocional, as empresas serem
diferentes. Alguns fazem eventos, outros promoções, outros
ações digitais e outros tudo isto. Talvez, a certificação
por área, técnica ou número de funcionários, dê mais
visibilidade a este processo.
Por José Victor Oliva
FUNDAMENTAL
A Revista de Negócios em Eventos (OL)