Fresquinho,
passado na hora para receber a visita, é o maior símbolo de
hospitalidade. A propósito... Vai aí um cafezinho? ...
Ele adiciona energia e eletricidade às conversas e é o companheiro
(quentinho!) que nos ajuda a despertar. De quebra, é uma espécie
de abre-alas da hospitalidade, aproximando todas as gentes.
No país que mais produz café no mundo, quase ninguém sai de casa
sem ter provado dessa bebida que afasta o sono e desperta os
sentidos. Uma pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de
Café (Abic) mostrou que 93% dos brasileiros declaram tomar café
regularmente. Democrático, ele está em casas ricas e pobres, na
boca de adultos e de crianças; bate ponto no escritório, aparece
no cabeleireiro e na agência bancária, pode ser encontrado em
qualquer boteco ou padaria. Fresquinho, passado na hora para
receber a visita, é o maior símbolo de hospitalidade. A
propósito... Vai aí um cafezinho?
Essa é a pergunta que não quer calar. Aliás, muito pelo contrário:
quem aceita o convite ou está mesmo disposto a um dedo de prosa
ou, com certeza, vai ficar. Reza a lenda que as propriedades
estimulantes dessa frutinha marrom-avermelhada mantinham
saltitante o rebanho de um certo pastor de cabras chamado Kaldi,
na Etiópia. Um monge curioso, no século 15, observando tal
fenômeno, achou por bem recolher alguns grãos para secar e ferver
com água. Como a bebida o teria mantido alerta durante as orações
noturnas, espalhou a notícia ao mundo árabe.
Conquistador barato
Logo tornou-se popular entre os muçulmanos, como alternativa ao
consumo proibido de bebidas alcoólicas. O "vinho do Islã" era uma
bebida que podia ser saboreada abertamente, à luz do dia, longe
das escuras tabernas ilegais. É verdade que em Meca e no Cairo
houve várias tentativas de fechar os cafés públicos, mas o motivo
não era só o costume de tomar a nova bebida — o que incomodava
mesmo era aquela gente reunida em torno de jogos de tabuleiro,
debatendo política, espalhando boatos e discutindo a vida alheia.
E foi justamente essa efervescência que acompanha o seu consumo
que conquistou os viajantes europeus, por volta de 1650. Editores
de jornais importantes forneciam o endereço do estabelecimento
para receber a correspondência; negociantes marcavam lá suas
reuniões. O autor de História do Mundo em Seis Copos, Tom Standage,
compara: "Coletivamente, os cafés da Europa funcionavam como a
internet da Idade da Razão". Ao preço de uma xícara, na
Inglaterra, era possível discutir com Halley (o que deu nome ao
cometa) ou com Diderot e D’Alembert (os famosos enciclopedistas),
em Paris. É por isso que, muitas vezes, os cafés eram chamados de
"universidades dos centavos". Quem passava por lá saía informado,
com a cabeça fervilhando de idéias, cheio de histórias para
contar.
Fonte:
Correio de Uberlândia