Busca pelo caminho certo


  

As mudanças na forma de expor a marca, produtos e serviços são claras. Não há como frear esse processo que envolve não só a multiplicidade da mídia, mas uma alteração comportamental grande do consumidor de informação e entretenimento. Os meios tradicionais - como televisão, rádio, revistas e jornais - tentam encontrar novos rumos e trabalhar suas ofertas de maneira integrada, mas falta algo mais ainda. E as conseqüências não são simples.

Uma reportagem estampada nas páginas do The Wall Street Journal na primeira semana de fevereiro anunciava que em 2007, a internet irá superar a TV em número de anunciantes nos Estados Unidos. Isso se deve à união de serviços de comunicação. Até mesmo o tradicional New York Times já cogita acabar com sua edição em papel e manter somente a operação on-line.


Na outra ponta, as próprias empresas desviam suas verbas que seriam aplicadas em mídia tradicional para iniciativas diferenciadas. O Grupo Positivo, por exemplo, criou seu próprio Youtube. Batizado de Positube, o portal da empresa paranaense é direcionado a vestibulandos - publico jovem, altamente conectado e com poder aquisitivo - e possibilita o compartilhamento de vídeos e fotos dos cursos pré-vestibular Positivo.

Também no Sul, a agência de conteúdo Tudo, ao realizar um trabalho para o conglomerado de comunicação RBS, adquiriu uma comunidade dentro do site de relacionamentos Orkut para promover um evento em Florianópolis (SC). A idéia, porém, é considerada arriscada para especialistas. Isso porque as comunidades têm códigos simbólicos de funcionamento. "Não basta chegar e comprar. Provavelmente muitos vão pular fora. E vão abrir um Eu odeio o moderador da comunidade que a vendeu", acredita Vinicius Andrade Pereira, professor de comunicação e design da ESPM- RJ e pesquisador do CAEPM - Centro de Altos Estudos da Propaganda e Marketing.

Outras empresas que estão diretamente ligadas a esse turbilhão de transformações são as operadoras de telefonia. Além de serem grandes anunciantes, devem se tornar em breve meios para a transmissão de publicidade. Algumas das maiores empresas nos Estados Unidos como a Verizon, Sprint, Cingular e AT&T já realizam testes de veiculação de anúncios em seus dispositivos móveis. Até então, assim como no Brasil, os celulares tem sido utilizados apenas para campanhas das próprias operadoras.

"Acreditamos na junção dos meios, não em apenas um ou outro", revela a diretora de marketing e comunicação da Claro, Cristina Dulclos (foto). A executiva aposta no aparelho móvel como ferramenta de marketing, mas alerta para os cuidados necessário em sua utilização como mídia. "O primeiro passo é definir internamente qual a política a ser adotada, que forma fazer, formato do negócio, pensando sempre no cliente, afinal somos uma prestadora de serviços e precisamos vender algo relevante para ele", ressalta.

Posicionamento dos meios

Apesar das críticas, os canais de publicidade têm evoluído no seu posicionamento enquanto fornecedores desse serviço de mídia. "Recebemos pacotes em que os veículos prepararam espaços específicos para trabalho de mídia, realmente customizado. Estão chegando até nós com propostas mais estruturadas que no passado", conta Rodrigo Cicutti, diretor de marketing da Brasil Telecom. "Já vemos os veículos utilizando a sua presença multimeios de forma mais inteligente", completa Marcelo SantIago, diretor de novos negócios da MidiaClick.

Para a Claro, entretanto, o modelo ainda carece de especialização e conhecimento das novas plataformas, o que força os anunciantes a indicarem os caminhos que desejam. "Recebo pessoas com estratégia um pouco mais integrada do que já foi um dia, mas não como a Claro gostaria. Hoje, infelizmente, as empresas mais demandam a integração do que ela vem pronta", contrapõe a diretora da empresa de telefonia celular.

Segundo a executiva, na correria do mercado, as companhias acabam fazendo o mesmo de sempre, especialmente em segmentos nos quais a reação precisa ser urgente. "Na necessidade de reação muito rápida, deixamos de pensar, de fazer algo mais inteligente. O profissional de mídia que não tem cabeça aberta para ver novos veículos, investir em web, e isso está errado. O mundo mudou", afirma Cristina.

A inovação, portanto, precisa estar no posicionamento da marca, no poder de comunicação e nas pessoas. O restante pode ser facilmente copiado. Como as grandes empresas demoraram a entrar nesse mercado de mídias alternativas, há um crescimento que pode ser considerado acelerado nesse momento.

Ainda assim, as verbas direcionadas para internet devem levar longos anos até que possam ser comparadas com as da angariadas pela mídia tradicional. "Nossa expectativa é chegar a 3 ou 3,5% nos próximos anos de todo o volume. É muito pouco ainda", revela Karina Santos, diretora-executiva da IAB-Brasil.

Existem várias maneiras das empresas se fazerem presentes na web. As principais são por meio de sites próprios ou de veiculações. O mercados dos grandes e médios anunciantes já esta maduro com relação aos sites próprios. "O que recomendamos é a modernização do site, e-commerce e fundamentalmente anúncios ou intervenções na web. Pod cast, SMS, blog, Second Life são as estrelas do momento. Acredito que para 2008 a TV digital irá despertar novas oportunidades de interação", avalia Maria Lucia Cucci (foto), vice-presidente de mídia da Publicis Brasil.

Na AlmapBBDO não é diferente. A internet está incorporada aos hábitos de uma parcela significativa da população, e é um meio presente na maior parte dos planejamentos desenvolvidos pela agência. Há uma equipe integralmente dedicada ao meio e integrada aos demais times da agência. "Isso viabiliza trabalhos que explorem o potencial de comunicação do meio a partir do mesmo posicionamento e da mesma abordagem das campanhas desenvolvidas para os nossos clientes", revela o diretor-geral de mídia da agência, Paulo Camossa.

 


Eduardo Vasques- Jornalista especializado em tecnologia da informação, negócios e relações de consumo.