“Todas as organizações hoje se encontram diante do desafio de
criar diferenciais de comunicação. Novos formatos empresariais e
crescentes exigências de relacionamento com os diferentes públicos
tornaram mais complexas as demandas da comunicação organizacional,
fenômeno que pode ser entendido como “a somatória de todas as
atividades de comunicação da empresa, elaborada de forma
multidisciplinar” (Nassar e Figueiredo 1995, p.19). No campo da
pesquisa em comunicação, conforme Kunsch e Dencker (1997), a
comunicação organizacional constitui novo desafio para o meio
acadêmico, que tem de correr contra o tempo para acompanhar o
avanço já alcançado pelo mercado profissional.
Como analisa Basile (2002, p. 48), "a vigilância da sociedade
criou a necessidade de uma agenda de mudanças que precisa ser
comunicada aos diferentes públicos". Na visão do referido autor, a
responsabilidade disso é da democracia, que todos ajudamos a criar
e estamos ajudando a consolidar. Ganha corpo a cidadania
organizacional. As pesquisas de mercado dão voz ao cliente.
Proliferam-se os serviços de assistência pós-venda. Surge a figura
do Ombudsman como interlocutor da organização com a sociedade.
A Ouvidoria (tradução da função do ombudsman ) assume, assim,
papel importante na comunicação das organizações com seus
diferentes públicos. A “função criada para representar o cidadão,
zelando por seus legítimos interesses junto às instituições
públicas e privadas" (Vismona 2000, p.11) insere-se no cenário de
cidadania que hoje circunda as organizações, com o estabelecimento
de um diálogo no nível microssocial das organizações. Para Nacfur
(2004):
A Ouvidoria, por intermédio do Ouvidor, tem como atribuição básica
atuar na defesa dos direitos e interesses da sociedade em geral,
notadamente dos clientes e usuários, atuais ou potenciais, contra
atos e omissões cometidos pela empresa, com a finalidade de zelar
para que a instituição atue com eficiência e mantenha crescente o
prestígio de que desfruta perante a sociedade.
A revisão bibliográfica acerca do tema aponta os primórdios da
atividade para o início do século XIX, na Suécia. Neste período, o
profissional ouvidor tinha como função receber e dar
encaminhamento às queixas dos cidadãos. A difusão dessa função,
entretanto, só ocorreu em meados da década de 1960, quando a mesma
proliferou-se na mídia impressa, com a incorporação da figura do
ombudsman junto à redação dos grandes jornais americanos. Hoje, a
função integra o quadro dos principais jornais da Europa, Ásia,
África do Sul, América do Norte e Latina. Para Vilanova (2004):
O papel do ombudsman nos jornais é de ser um crítico interno, a
partir das queixas que recebe dos leitores. O objetivo é melhorar
a qualidade do jornal, apontando os erros e sugerindo a forma de
corrigi-los, a partir das observações do leitor. Para tanto,
precisa ter total independência e autonomia de investigar,
recolher opiniões e versões e apresentar soluções.
Do ambiente jornalístico, a função estendeu-se para outros
segmentos, como o varejo, a indústria e a prestação de serviços,
confundindo-se muitas vezes com os Serviços de Atendimento ao
Cliente, linhas 0800 e outros canais de interlocução com públicos
organizacionais.
No ambiente universitário, a presença do ombudsman/ouvidor tem sua
origem na década de 1980, inicialmente nos Estados Unidos e
Canadá. No Brasil, a primeira universidade a implantar uma
Ouvidoria foi a Federal do Espírito Santo, em 1992. Na seqüência
foram implantadas as Ouvidorias da Universidade de Brasília,
(UNB), em 1993, e da Universidade Estadual de Londrina (UEL), em
1994.
De acordo com Lyra (2000, p.68/69), na metade dos anos 1990,
muitas universidades brasileiras anunciaram a criação de
Ouvidorias, no entanto, poucas efetivamente confirmaram sua
implantação. Houve, ainda, a desativação, em 1997, da Ouvidoria da
UNB e da UEL, ambas por motivos não claramente explicitados,
embora em relação à Universidade Estadual de Londrina a sua
direção tenha justificado a medida pela necessidade de contenção
de gastos. Lyra (2000, p.69) aponta um crescimento lento na
implantação de novas Ouvidorias no ambiente universitário
brasileiro no período de 1992 a 1997. No entanto, desde o final
dos anos 1990 e, nesta primeira década do século XXI, o autor
relata um novo impulso na implantação das Ouvidorias
Universitárias, vislumbrado não somente nas universidades públicas
estaduais e federais, mas também em instituições particulares de
ensino, comunitárias ou confessionais de ensino superior.
A Ouvidoria Universitária, segundo Lyra (2000, p. 70), está
inserida no contexto da chamada democracia participativa. Ao lado
dos Conselhos de Direitos Humanos e do Orçamento Participativo, na
visão do referido autor, as Ouvidorias figuram com destaque entre
os órgãos constituintes da nova esfera pública da cidadania que
preservam e valorizam a res publica. Os públicos da organização
resgatam, assim, sua capacidade de negociar, tornam-se cidadãos
ativos.
Para Vilanova (2004), a Ouvidoria nas universidades constitui-se
numa via desburocratizada e ágil para a solução de problemas e
correção de injustiças, além de um importante canal de comunicação
entre a comunidade universitária e a administração, contribuindo
para o aperfeiçoamento do exercício da cidadania e para um
constante feedback, essencial ao aprimoramento institucional e ao
aumento de sua credibilidade. Observa como credencial da Ouvidoria
Universitária:
Agir como um crítico interno, que a partir das demandas que lhe
são encaminhadas, monta uma verdadeira radiografia da instituição.
Com estes dados, elabora pareceres sobre as necessidades de
mudanças nos seus procedimentos e normas, objetivando o
aperfeiçoamento do desempenho e dos relacionamentos
institucionais.(Vilanova, 2004)
No relato de Barrichello (2001, p.78), do ponto de vista da
legitimação da universidade, o mundo institucional é experimentado
como realidade objetiva pelos indivíduos, sendo importante ter em
mente que essa objetividade é produzida e construída pelos mesmos
que a percebem. Prossegue a referida autora (2001, p.83):
Diante do quadro atual, a legitimação tende a resultar, cada vez
mais, das práticas de linguagem, da interação comunicacional. Por
isso, esse aspecto cresce em importância para se repensar o
relacionamento da universidade com a sociedade como forma de
legitimação da primeira. E ainda, mais especificamente, torna-se
relevante avaliar a interação comunicacional da instituição com
alguns grupos ou comunidades a ela ligados.
Do conjunto de demandas individualizadas recebidas por meio da
Ouvidoria somam-se respostas coletivas, que podem contribuir para
a melhoria da instituição de ensino. Neste contexto, a Ouvidoria
Universitária anuncia-se como nova forma de relação social que
utiliza, a virtualidade para o fluxo de demandas e informações
sobre as mais diferentes questões. Cabe à organização, a partir
desta perspectiva, estabelecer e priorizar estratégias de
comunicação que consolidem esta nova forma de relação social,
permitindo que sua análise atue como agente de transformação no
ambiente universitário.(...)”
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Por
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