As
palestras, conferências e workshops fazem parte da indústria
dos eventos assim como as Semanas de Moda, Shows de Rock,
Desfiles de Escolas de Samba e Blocos, Congressos, Feiras e
por aí vai. Contudo, estas modalidades chamadas de eventos
técnicos, por vezes não são identificadas como acontecimentos
especiais porque não são acompanhadas por apresentações
pirotécnicas (fogos de artifício), cenários deslumbrantes e
campanhas de propaganda pesadas, mas movimentam igualmente
estonteantes verbas e somas de muitos milhares de reais,
profissionais especializados, infra-estrutura impecável,
envolvimento de diversos públicos entre pessoas comuns,
notáveis e celebridades, material gráfico e de design de
ponta, entretenimento e lazer de alto nível etc. E o
palestrante é o “show man” ou show woman”. Ou porque é um
reconhecido nome do mercado “x” ou “y” e atingiu proeminência
com uma ação simples ou sofisticada, ou porque é ganhador, por
exemplo, do prêmio Nobel em uma área, por exemplo, economia ou
cultura, ou porque conquistou no comandando de uma seleção ou
time de determinada modalidade esportiva um campeonato em
torneios mundiais, internacionais etc. Não importa, o que
importa é o acontecimento especial creditado a alguém e se ele
pode ser considerado, entendido e compreendido como “líder de
opinião” em dobradinha de preferência: criador e criatura,
digamos assim. E dependendo do notável, que é também
celebridade camarins e salas especiais são requisitados com
não sei quantas toalhas, mobiliário em cores e estruturas
especiais, alimentação à base de frutas exóticas, águas só de
terminada origem e marca, são amparados por um grande número
de assessores, seguranças etc, não falam com a imprensa se não
em uma muito bem planejada “conferência de imprensa” e, fotos,
nem pensar.
Portanto, a indústria de eventos como
chamam alguns, enquanto outros preferem mercado de eventos, em
plena expansão, profissionalização e investimentos têm nesta
área, a dos eventos técnicos, um campo enorme para atuar e
empreender ao lado de empresas consagradas e reconhecidas,
nacional e internacionalmente, que nele, já, são inseridas ou
recentemente chegando. Há de tudo, e nisso se inclui, o bolso
o tamanho da conta!
Para ilustrar a dica, garimpamos e
clipamos duas notícias da imprensa de massa, os jornais, para
os leitores. Uma lá de 2004 e outra de “ontem”. Acompanhem.
Ano de 2004 ...
Associações e celebridades dividem mercado americano
Em 1872, o escritor norte-americano Mark Twain participou de
uma série de palestras para promover o seu livro "Roughing
It". O evento é citado por Jim Montoya, vice-presidente
executivo da IASB (International Association of Speakers
Bureaus), com sede nos Estados Unidos, como um dos primeiros
marcos das palestras remuneradas no país.
Muita coisa mudou nesses quase 150 anos. "A maioria começa
cobrando US$ 3.000 por hora de apresentação, e o valor vai
subindo conforme a pessoa se torna mais conhecida, escreve
livros etc.", afirma Dorothy Walters, presidente do banco de
palestras Walters Internacional Speakers Bureau e fundadora do
IASB. "Quando se tornam celebridades, chegam a ganhar US$ 600
mil por apresentação", acrescenta.
O setor também se organizou, primeiro com os bancos de
palestrantes e depois com as associações, que "ganharam força
quando as pessoas perceberam que não tinham idéia de como
contratar ou entrar em contato com os palestrantes", segundo
Montoya. Foi o primeiro sinal da profissionalização do setor.
Atualmente, estima-se que nos EUA exista mais de 4.000
palestrantes profissionais e mais de 400 bancos de
palestrantes.
A associação internacional surgiu em 1986, com o objetivo de
prover educação, "networking" e assessoria para os bancos de
palestrantes. Inicialmente chamada de International Group of
Agents and Bureaus, a IASB tem 115 membros, incluindo
associações do Canadá, da Espanha, da Inglaterra e da Nova
Zelândia.
Os sócios do IASB devem seguir seus objetivos, suas regras e,
principalmente, um código de ética. Casos polêmicos são
encaminhados para um comitê de ética. "A associação não tem
autoridade legal, mas o mercado sabe que os bancos se
preocupam com a ética do setor", afirma Montoya.
Segundo o executivo, é possível dividir os palestrantes em
duas categorias: os profissionais, que vivem apenas de suas
apresentações, e as celebridades. "São aqueles palestrantes
que têm o seu trabalho, mas são chamados para apresentações",
define. Walters afirma que tem crescido a gama de produtos
ligados às palestras. "Muitos têm lançado livros e itens em
áudio e vídeo com os temas de suas palestras", afirma. "Eles
estão ganhando um bom dinheiro adicional a seus cachês",
acrescenta.
Fonte: Folha de São Paulo-
Suzana Barelli (fl)-31/08/04
Quando a experiência vira profissão
Quando deixou as quadras de basquete, em 2000, Maria Paula
Gonçalves da Silva, 42, a Magic Paula, não imaginava que teria
lugar cativo em outra torcida, a empresarial. Nesses quatro
anos, ela já deu mais de cem palestras para empresas como
Itaú, Bosch e Amazon Petro e instituições como o Sebrae.
Fotos Guilherme Pupo/Folha Imagem

Público aguarda palestra em evento da
Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores
A ex-jogadora de basquete é contratada por companhias
interessadas em ensinar suas equipes a superar desafios. A
parceira da cestinha Hortência é especialista em contar como a
equipe brasileira de basquete venceu no Mundial de 1994, na
Austrália, a seleção norte-americana, um obstáculo quase
intransponível.
A história, recheada de exemplos de perseverança e de trabalho
em equipe, temas tão caros ao mundo dos negócios, garantiu o
sucesso inicial da então palestrante novata, além da sessão
extra de autógrafos no final de cada apresentação. Mas foi a
sua postura profissional, o preparo cuidadoso e a qualidade do
material exibido que garantiram os convites para novas
palestras vindos dos quatro cantos do Brasil. "Ganhei mais
espaço ao me aperfeiçoar na apresentação", afirma Paula, que
tem cachê ao redor de R$ 7 mil.
Magic Paula não é a única a investir na forma e no conteúdo de
suas apresentações. O mercado de palestras ainda é incipiente
no Brasil, se comparado com sua Meca, os Estados Unidos, mas
começa a crescer de forma consistente. "Os palestrantes estão
se aprimorando, não só na parte técnica, necessária para uma
boa apresentação, mas também na preocupação em passar insights
para a platéia", afirma Kleber Roger, 30, consultor de
recursos humanos da TVA e responsável pelo treinamento dos
funcionários da empresa.
A profissionalização do setor também foi notada por Simone
Porto Loureiro, 36, gerente de comunicação interna da
Petrobras, uma entre as empresas que buscam essas palestras
como fonte de informação para seus profissionais. "Os
palestrantes estão investindo mais em conteúdo e, com a
tecnologia, capricham mais na apresentação", afirma. Os
especialistas, segundo Simone, sempre existiram, mas agora
estão saindo de cena as apresentações de "fala e giz" (em
referência às palestras baseadas numa lousa) e entrando os
modelos mais sofisticados.
A fundação do Clube do Palestrante, no início deste ano,
demonstra essa tendência, impulsionada provavelmente pelo
aumento da demanda. A agremiação, uma idéia da experiente
palestrante Leila Navarro, 51, quer profissionalizar o
segmento a partir da capacitação dos próprios palestrantes,
sejam novos ou antigos. "Nos Estados Unidos, há até um selo
dado aos bons profissionais. Por aqui, ainda carecemos de
informações básicas", compara Leila, que faz entre 100 e 120
palestras por ano, com cachê que fica na casa dos R$ 10 mil.
Ninguém se atreve a estimar quanto o mercado de palestras
movimenta por ano, seja no Brasil ou nos EUA. Parece que o
segredo, aqui, também é a alma do negócio. "Os palestrantes e
as empresas da área não têm interesse em dividir seus números,
nem mesmo com as associações do setor", afirma Jim Montoya,
60, vice-presidente executivo da IASB (International
Association of Speakers Bureaus) nos Estados Unidos.
Conhecem-se apenas alguns cachês, alguns bem salgados. Entre
os brasileiros, o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso
parece estar entre os mais caros. Suas palestras estão
estimadas em US$ 50 mil, sem incluir as despesas com
transporte e hospedagem, que devem ser pagas pela empresa
contratante. Com formação em economia, Bernardinho, o técnico
da seleção brasileira masculina de vôlei, é outro em alta no
mundo corporativo. "No passado, cheguei a contratá-lo por R$ 5
mil. Agora, ele não faz por menos de R$ 25 mil", afirma Fred
Falci, 57, sócio-diretor da AV Produções, que organiza eventos
para empresas.
Não é para menos: FHC e Bernardinho têm conteúdo e sabem
transmiti-lo de forma clara. Em suas palestras, o esportista
chega a distribuir camisetas amarelas, numa menção à premiada
seleção brasileira. E as medalhas conquistadas tornam visível
às empresas —que formam seu principal grupo de ouvintes— a
importância do planejamento e do trabalho em equipe para
alcançar um determinado objetivo.
O segundo indício da profissionalização desse mercado é o
trabalho dos bancos ou das agências de palestrantes. São
empresas que fazem o meio-de-campo entre as contratantes e
esses novos profissionais. Um bom exemplo é a Palavra Speakers
Bureau, que tem entre seus acionistas a Rio Bravo, do
ex-diretor do Banco Central Gustavo Franco. A empresa surgiu
em 1999. "Percebemos a necessidade de um serviço para o
palestrante", afirma Priscila David, 25, diretora da Palavra.
O mesmo diagnóstico levou Ana Tikhomiroff, 36, a deixar a área
de treinamento para investir, em 2002, na Palestrart, não sem
antes visitar os "speakers bureaus" nos Estados Unidos e
aprender com eles. "A idéia é profissionalizar o setor e
renovar os palestrantes. Há dois anos, os eventos contavam
sempre com os mesmos 10 ou 12 profissionais. Hoje, o mercado é
muito maior", afirma a executiva.
Montadas nos moldes do modelo norte-americano, essas empresas
recebem do palestrante, a título de remuneração, uma
porcentagem (não revelada) do valor de cada palestra. Em
troca, auxiliam o profissional a estipular preços e a avaliar
propostas, sugerindo quais aceitar e quais recusar, entre
outras coisas.
O modelo está dando certo. A Palavra, por exemplo, tem em seu
portfólio mais de 1.500 empresas cadastradas e 80 palestrantes
de primeira linha, como os ex-ministros Maílson da Nóbrega e
Pedro Parente e a família Schürmann —velejadores que passaram
dez anos no mar e, quando retornaram ao Brasil, viraram uma
coqueluche no mercado de palestras. O mais recente a chegar
foi o ex-embaixador Rubens Barbosa, especializado nas áreas de
conjuntura internacional, economia e política.
O diplomata chegou ao mercado na hora certa, quando os temas
ligados à sua área estão em alta, com os recordes brasileiros
de exportação e com as disputas comerciais no âmbito da OMC ou
com a vizinha Argentina. O palestrante e ex-ministro Maílson
da Nóbrega, 62, hoje sócio da Tendências Consultoria
Integrada, diz que a procura por suas apresentações varia
conforme o andar da economia. "Em 2002, bati o recorde de 116
apresentações", afirma. Ele dá palestras desde quando deixou o
governo, em 1990.
Palestrantes iniciais, como a atriz Bruna Gasgon, da área de
motivação e relacionamento, cobram entre R$ 3.000 e R$ 3.500
por evento. Economistas de renome, como o próprio Maílson, seu
sócio Gustavo Loyola e Francisco Gros, que já presidiu a
Petrobrás e o Banco Central, não costumam cobrar menos de R$
8.000. Na área motivacional, os cachês começam por volta de R$
5.000.
Mas uma particularidade curiosa deste mercado é que poucos
profissionais se definem como palestrantes. E soa estranho
porque "dar palestras" já é efetivamente uma profissão e
muitos têm nesta atividade o seu principal ganha-pão.
Psicólogo de formação, Roberto Shinyashiki, 52, foi
provavelmente o primeiro a declarar que sua profissão é dar
palestras, na década passada.
"Palestra é um trabalho especial, diferente de ser um
professor ou um consultor. Além de conhecer muito uma
organização, o profissional tem de conhecer muito da alma
humana, para tocar a pessoa e inspirá-la a confiar em si
própria", afirma Shinyashiki. No ano passado, ele recebeu mil
solicitações de apresentações e atendeu cem delas, com cachê
de R$ 20 mil.
Também não há uma formação própria para o palestrante. "Não há
treinamento específico, mas damos várias dicas aos atletas
sobre como falar em público, sobre o cuidado necessário para
preparar as apresentações", afirma Ricardo Andreu, 33, sócio
da Galeria de Esportes, empresa de marketing esportivo. "Mas
nem sempre é fácil, pois muitos se acham o William Bonner
[apresentador do Jornal Nacional da Rede Globo]", acrescenta
Andreu, que, neste ano de Olimpíada, viu crescer
consideravelmente a procura pelos atletas que representa.
O palestrante tem como principal diferencial a sua bagagem
profissional, o seu conhecimento, a sua experiência prática. E
isso não se aprende apenas na escola, mas principalmente na
vivência em empresas, governos, associações e até competições
esportivas ou viagens de aventura.
Na grande maioria dos casos, o profissional começa a se
definir como palestrante quando esses eventos passam a ocupar
grande parte do seu dia, e muitas vezes isso acontece sem que
ele se dê conta. Carlos Alberto Júlio, 47, presidente da HSM
Eventos Internacionais, empresa de educação executiva, ainda
hoje lembra da surpresa quando a secretária contou que suas
apresentações, então gratuitas, estavam lotando a agenda.
Júlio decidiu passar a cobrar por elas, até para diminuir o
número de convites, segundo ele. Mas a procura continuou.
Atualmente, seu cachê fica entre R$ 10 mil e R$ 15 mil, e ele
divide o tempo entre a presidência da HSM e as palestras.
Como contratante, no entanto, seu foco principal são os
palestrantes internacionais. A HSM já trouxe ao Brasil
personalidades de renome em suas áreas como o consultor de
empresas Tom Peters, o economista Theodore Levitt, o guru da
administração Peter Drucker e o empresário Lee Iacocca. Júlio
conta que nem sempre é fácil conseguir atrair estes
profissionais para o Brasil. "O segredo é despertar o
interesse desses executivos para cases nacionais, como o da
Embraer ou o das Casas Bahia", afirma Júlio.
Neste trabalho, ele diz ser claro o amadurecimento do mercado,
se comparado com dez anos atrás, tanto na apresentação como no
conteúdo. Mas ele fala também de uma certa ambigüidade: ainda
são muitos os palestrantes que têm conteúdo, mas que não
motivam a platéia, e aqueles com pouco conteúdo e muito show.
"Não tem nada de errado com isso. As pessoas saem satisfeitas
das apresentações", diz o executivo.
Mas essa é uma questão polêmica. Nas palestras-show, o perigo
é o evento ser um sucesso, com muita risada e descontração na
"platéia", mas com pouco resultado prático. É na área
motivacional que ocorrem as maiores críticas quanto à
eficiência desta forma de transmissão de conhecimento.
"Ninguém motiva ninguém e as apresentações são um engodo",
afirma taxativo Jansen Queiroz Ferreira, 60, sócio da
consultoria Gestão Polifocal, especializada em gestão e
treinamento empresarial.
Sua maior crítica é que as palestras performáticas trazem
receitas prontas, que nem sempre se encaixam na realidade de
uma empresa. As críticas estão até entre os palestrantes que
já têm destaque e reconhecimento na área. "O mercado de
palestras está muito grande, pois oferece visibilidade e
lucro. Mas os pára-quedistas desconhecidos só prejudicam o
nosso segmento", reclama o ilusionista Carlos Hilsdorf, 36,
que usa os truques mágicos em suas apresentações sobre
negócios, comportamento e motivação.

A ex-fisioterapeuta Leila Navarro tira peruca e
apetrechos durante suas apresentações
Depois de alegrarem por anos a platéia no intervalo entre duas
palestras ditas de conteúdo, as mágicas de Hilsdorf passaram a
ocupar o lugar principal dos eventos. "Decidi unir a mágica
com o conteúdo e hoje sou um palestrante 'full-time'", afirma
o profissional, que cobra R$ 12 mil por apresentação. O
ilusionismo abre um bom campo de mensagens, segundo o mágico.
Por exemplo, se no palco uma pessoa desaparece, o público pode
passar a discutir se a realização do impossível, na empresa ou
na vida, pode depender de uma postura pessoal.
O mesmo acontece com Leila Navarro. Dar palestras é sua quarta
profissão, depois de trabalhar como fisioterapeuta, empresária
e especialista em rolfing (tipo de massagem). Nos eventos em
que é protagonista, o ponto alto acontece quando Leila começa
a despir-se das plumas em pleno palco. "Mostro como tirar a
capa, as máscaras do dia-a-dia", afirma. Muitas vezes,
acredita Leila, os palestrantes falam o que o presidente da
empresa já repete há tempos, porém de uma maneira diferente. É
o velho ditado de que santo de casa não faz milagre.
Fã das palestras, Antonio Sá, 31, gestor de frutas, legumes e
verduras do Compre Bem, do grupo Pão de Açúcar, cita palestra
do guru especialista em liderança Steven Covey sobre os "Os 7
Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes" (Best Seller). Muitas
das mensagens passadas já eram conhecidas de Sá, como ter
foco, equilíbrio e objetivos definidos. "Mas o palestrante foi
muito claro, com exemplos objetivos e aplicados no dia-a-dia",
conta. O resultado é que Antonio não tem dúvidas da eficácia
da apresentação. Ele, aliás, assiste de cinco a seis palestras
profissionais por ano. Entre as escolhidas, estão desde
apresentações sugeridas por ele como as que acontecem
internamente no Pão de Açúcar.
No grupo de varejo, as palestras também são vistas como uma
das ferramentas para o treinamento dos funcionários. "Mas as
apresentações têm de estar inseridas num contexto, com temas
ligados aos nossos programas de desenvolvimento", pondera
Marília Parada, 45, diretora de planejamento e desenvolvimento
de recursos humanos do grupo Pão de Açúcar. Recentemente, o
alpinista Waldemar Niclevicz, primeiro brasileiro a escalar o
monte Everest, deu uma palestra na empresa sobre como superar
"patamares". O evento fez parte de um programa de incentivo da
área comercial para atingir novas metas.
Ainda não há uma resposta definitiva sobre o modelo mais
eficiente de palestras, mas, para as empresas que as
contratam, não há dúvidas de sua eficácia. "As companhias
estão vendo as palestras como mais uma alternativa aos seus
programas de capacitação", afirma Luiz Carlos Campos,
presidente da ABRH-Nacional (Associação Brasileira de Recursos
Humanos). "Por isso, a demanda pelos palestrantes é
crescente", diz.
Com a palestra, acredita Campos, as empresas conseguem trazer
novas informações para dentro da companhia, trabalhar temas
internos que precisam ser desenvolvidos, como novas metas ou
liderança, por exemplo, e ainda melhorar o clima do ambiente
corporativo. "Muitos funcionários se sentem valorizados ao
participar de um evento como esse", afirma Campos.
Simone Orlandi, 38, diretora de marketing da PeopleSoft do
Brasil, diz que sua empresa valoriza o trabalho da palestra
como forma de trazer experiências para os profissionais da
empresa. Não só como formação mas também como hobby. Palestras
sobre vinho com o especialista Jorge Lucki ou de música com o
produtor Nelson Motta são alguns dos eventos já realizados
para os executivos da PeopleSoft. Em agosto, foram duas: uma
com o jornalista Alexandre Garcia, para clientes, e outra com
o professor da área de marketing Cláudio Tomanini, que faz
palestras motivacionais para funcionários.
O economista Vilfredo Schürmann, 55, o patriarca da
aventureira família que deu a volta ao mundo num veleiro, diz
que o briefing é importante tanto para suas palestras como
para sua atividade principal. "É preciso preparar-se. Das
pessoas que sonham com viagens de barco, 1% chega a fazer um
projeto e 0,1% sai para o mar", resume. Schürmann cobra R$ 13
mil por uma apresentação de duas horas, acompanhado por sua
mulher e parceira Heloisa, 55. Quando o filho David, 30,
também participa, o valor sobe para R$ 16 mil.
A primeira palestra, que Schürmann faz questão de dizer que
não foi profissional, aconteceu em 1991, na Polinésia. Três
anos mais tarde, já no Brasil, ele descobriu que os conceitos
que implementa no barco também tinham boas analogias com a
rotina das empresas: administração de riscos, rapidez nas
decisões, modo de lidar com eventos inesperados e imprevistos.
Normalmente, é a porta aberta pela possibilidade de
comparações que traz pessoas de áreas tão diferentes para as
empresas. O enxadrista russo Garry Kasparov veio ao Brasil no
final deste mês e falou em Belo Horizonte (MG) e Campinas
(SP). "Palestras fora do eixo Rio - São Paulo repercutem
mais", afirma Eduardo Schama, 42, diretor técnico da Gestão do
Futuro. Sua empresa promove uma série anual de cinco ou seis
palestras baseada no principio de que o executivo precisa se
atualizar, mas não tem tempo de voltar para a sala de aula.
Neste ano, além de Kasparov, participam o médico Deepak Chopra,
autor de "As Sete Leis Espirituais do Sucesso" (Best Seller),
e Alvin Toffler, autor de "A Terceira Onda" (Record), entre
outros. Quinze minutos antes de cada apresentação, há um
espetáculo de circo, música ou balé. O objetivo é "arar o
terreno para o conhecimento", diz Schama. Na prática, ele
procura um modelo para tornar as palestras mais eficientes.
O mesmo acontece com o braço brasileiro da "Harvard Business
Review". A empresa aposta em modelos menores de palestras, no
qual uma companhia convida os seus clientes para um evento
fechado. O assunto sempre gira em torno de um artigo publicado
na revista de administração. Durante a apresentação, os
membros da pequena platéia têm a oportunidade de interagir
diretamente com o palestrante e discutir os temas abordados,
inclusive relacionando-os a sua própria empresa. "Os eventos
menores são mais difíceis de organizar, porém são mais
eficientes para a compreensão de um tema", acredita José Luiz
Machado, presidente da HBR no Brasil. Se der certo, o modelo
poderá ser exportado para a HBR nos Estados Unidos.
Mas é preciso lembrar que essas apresentações não são uma
panacéia para todos os males, como gosta de afirmar Ícaro
Vernizzi, 45, diretor-executivo da Central de Negócios,
empresa que faz o ranking dos palestrantes mais lembrados a
cada ano. Em 2004, estão concorrendo Leila Navarro, César
Romão, professor Gretz, professor Marins e Waldez Ludwig. A
primeira edição, realizada no ano passado, foi vencida por
Shinyashiki.
Para Simone, da PeopleSoft, as palestras são uma ferramenta
que dá resultado, mas faz ela ressalva: "Com dez anos nesse
mercado, digo que nem sempre é fácil achar um bom
palestrante". Para evitar problemas com os palestrantes,
Simone tem duas regras básicas. A primeira é, antes de
contratar um palestrante, assistir a uma apresentação sua. A
segunda regra é passar um bom briefing para o profissional.
Marília Parada, do Pão de Açúcar, acrescenta que o evento só
tem resultado quando o palestrante adapta o seu conteúdo aos
objetivos da empresa contratante. "Com a profissionalização do
setor, não há mais espaço para as palestras já prontas."
Fonte: Folha de São Paulo-
Suzana Barelli (free lancer)-31/08/04
Ano de 2007...
Clinton fatura US$ 40 milhões com palestras
Ex-presidente tinha milhões em dívidas acumuladas ao deixar a
Casa Branca
O ex-presidente dos Estados Unidos Bill
Clinton começou seu mandato em 1993 com patrimônio modesto e
no final de seu governo, em 2000, tinha dívida estimada em US$
12 milhões por causa de contas de campanha e despesas
judiciais do caso Monica Lewinsky. Mas seis anos após sua
saída da Casa Branca, Clinton conseguiu arrecadar cerca de US$
40 milhões dando palestras ao redor do mundo, como aponta
prestação de contas divulgada por sua esposa, a senadora e
candidata democrata à presidência americana, Hillary Clinton.
No
ano passado - um dos mais lucrativos para o ex-presidente -,
Clinton ganhou US$ 10 milhões nas 352 palestras que deu. Desse
total, apenas 20% foram destinados a sua renda pessoal; a
quantia restante foi doada à Fundação William J. Clinton, que
luta contra a Aids. 'Eu nunca ganhei um centavo no meu nome
até sair da Casa Branca. Agora, sou milionário', disse Clinton
em uma palestra em Kentucky no ano passado. Seus discursos na
Inglaterra, Irlanda, Nova Zelândia e Austrália renderam,
juntos, US$ 1,6 milhão para Clinton.
Em um
dia no Canadá, o ex-presidente ganhou US$ 475 mil - mais que o
dobro de seu salário anual como presidente. Muitas das firmas
que pagam pelos discursos de Clinton estão entre os
financiadores de campanha de sua esposa, Hillary.
TENDÊNCIA
Nas duas últimas décadas, cobrar por
palestras se tornou um hábito comum entre os ex-presidentes
americanos. Logo após deixar a Casa Branca, em 1989, Ronald
Reagan ganhou US$ 2 milhões discursando no Japão.
Os
ex-presidentes George H.W. Bush e Jimmy Carter também
exploraram o negócio. Em 2004, Bush ganhou US$ 150 mil por uma
série de palestras na China. THE WASHINGTON POST
Fonte: O Estado de S.Paulo
– INTERNACIONAL-24.02.07
A leitura foi longa, mas
com certeza ela é intrigante, detalhada e bem fundamentada
pela jornalista free lancer da Folha, portanto, abrangente e
fidedigna. E a nota do Estadão, fecha a informação de forma
reconhecidamente avassaladora do ponto de vista econômico
financeiro. Conhecimento e intercâmbio de informação se bem
planejados e ancorados em princípios técnicos e profissionais,
pode se um bom negócio e responsável socialmente. Não é não?