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Economia Criativa...essa moda já pegou! |
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Vendem-se sonhos, sensações e
projeções de sentimentos positivos. Eis os produtos finais de um
novo ramo econômico, que se alimenta da criatividade como
matéria-prima. Para estar à frente no mercado, as companhias
precisam agora inovar e trabalhar com o imaginário do
consumidor, procurando antecipar os seus desejos. E contratam
empresas que ajudem a vender esses benefícios intangíveis para
concretizar essa missão. São empresas da chamada economia
criativa, que desponta com um novo perfil de profissionais e de
gestão de pessoas.
A economia criativa e seu alcance vêm sendo reconhecidos há mais
de uma década. Um marco para a sua legitimidade aconteceu na
Inglaterra, em 1997, quando as atividades culturais ganharam
status de uma indústria de verdade, pensando exatamente no seu
desenvolvimento. Os britânicos criaram até um ministério da
Economia Criativa, com foco no fortalecimento da indústria
relacionada às artes plásticas, cinema, teatro, literatura,
mídias eletrônicas, mídias recentes ligadas ao surgimento de
novas tecnologias, entretenimento, design, arquitetura e moda.
Passados dez anos, o segmento corresponde a aproximadamente 8%
do Produto Interno Bruto, gerando uma receita maior que o da
indústria farmacêutica. E a percepção é que o setor continua a
se expandir rapidamente.
Mas em que exatamente este segmento se diferencia dos demais
setores? Em primeiro lugar, criatividade requer liberdade, como
diz John Howkins, no livro The Creative Economy: How People Make
Money From Ideas, de 2001. “Não podemos mais falar em empregados
das 8h às 18h”, disse Howkins, com exclusividade ao CanalRh em
Revista em sua passagem pelo Brasil em dezembro. Nesse cenário
também não é possível sustentar um ambiente hierarquizado e sem
abertura de diálogo entre os profissionais. “Na economia
criativa há um alto nível de conversas sobre idéias e todos
participam do processo falando, ouvindo”, afirma Howkins.
No Brasil, o conceito utilizado pelo Instituto de Economia
Criativa no Brasil, para definir as atividades que estão sob
conceito criativo, vai além do modelo britânico. "Na nossa
visão, o que inclui uma empresa na economia criativa é a sua
capacidade de se organizar de maneira a inovar, ou seja, o modo
como desenha os processos, o modelo de negócios, como desenvolve
os talentos etc.", afirma Adolfo Melito, presidente do Instituto
de Economia Criativa.
"Uma empresa que atua no ramo de agronegócios, por exemplo, pode
ser incluída na economia criativa por investir em pesquisa em
desenvolvimento", complementa. O Instituto considera também as
atividades de desenho de processos, gestão e educação, como
fazendo parte da economia criativa. "Ou seja, toda atividade que
cria valor, a partir da capacidade intelectual."
Diante da vastidão do que pode ser considerado economia criativa
ou não, e levando em consideração o valor atual e futuro dos
produtos e serviços dessas indústrias, a Fundação Sistema
Estadual de Análises de Dados de São Paulo (Seade) decidiu criar
uma classificação oficial no país. O objetivo é fomentar
políticas que incentivem o desenvolvimento dessas atividades, de
maneira semelhante ao que fez o governo inglês, quando criou um
ministério para apoiar as indústrias criativas.
O resultado preliminar de um estudo encabeçado pela Fundação
conclui que 3,5% das ocupações no Brasil estão relacionadas à
economia criativa. Também ficou claro que a maior parte dos
empregos com carteira assinada na economia criativa está no
Estado de São Paulo. No total, 721 mil empregos estão na
economia criativa na região metropolitana, e 1,1 milhão no
Estado todo. Embora atue com um grande número de autônomos, a
formalização de empregos na área mostra que estes profissionais
se levam a sério.“Enquanto São Paulo tem 11% dos empregos com
carteira assinada, no Brasil, se considerarmos apenas os setores
da economia criativa, esse número sobe para quase 20%”, afirma.
Mercado para jovens
O levantamento mostra ainda que a
economia criativa emprega mais jovens que a média –
profissionais com idade entre 25 e 39 anos e ainda com formação
diferenciada. Na economia criativa, 75% das pessoas têm mais de
dez anos de estudo. O cenário reproduz o que acontece em outros
países. “Nos Estados Unidos, as pessoas que atuam em setores
criativos estudaram duas ou três vezes mais”, comenta Howkins.
A média salarial desses profissionais também é maior. “Na região
metropolitana de São Paulo é 114% maior do que a média do país”,
conclui. Porém, grande parte da mão-de-obra é autônoma, opção
que permite ficar fora das amarras corporativas, como o horário
comercial, e garantem a liberdade exigida para que a veia
criativa dos profissionais encontre sua fluência.
O produtor e empresário Marcelo Galvão é um exemplo de como atua
um profissional na economia criativa e sua produtora, a Gatacine,
de como a colaboração de autônomos movimenta as indústrias da
área. “A Gatacine existe desde 2001, mas decidi me dedicar
exclusivamente a ela há um ano”, conta ele, que atuava em
grandes empresas da área como a O2, de Fernando Meireles. Sua
empresa, sediada em São Paulo, produz hoje conteúdo para
Internet, TV e cinema.
A menina dos olhos de Galvão é a produção para cinema, que já
emplacou na telona os longas 4º B, Bellim e Demônio
(co-produção) e o documentário Lado B – Como se faz cinema sem
dinheiro no Brasil. Ele filma agora Rinha, que conta com atores
globais e já tem previsão de iniciar um novo projeto em abril de
2008.
Na equipe fixa estão o sócio, alguns assistentes e estagiários.
“Em cada produção trabalho com muitos profissionais liberais em
diferentes funções, na maquiagem, figurino, produção,
alimentação, transporte...
Mas procuro sempre manter a mesma equipe”, conta. O número de
colaboradores sempre cresce. Mas trabalhar nas indústrias
criativas não é moleza, não. É um ambiente onde há pressão por
resultado tanto quanto nas empresas tradicionais. A diferença é
que isso acontece em um clima descontraído e com mais autonomia
para o profissional, que pode encontrar seu próprio modo de
solucionar os problemas. “Para mim, ser criativo é se adaptar a
novas situações, resolver coisas que não se consegue da forma
tradicional. A pressão incentiva a pessoa a arranjar uma
solução”, comenta Marcelo Galvão. “Dou autonomia para o
profissional fazer o que quiser, desde que me entregue no prazo
estabelecido”, conta.
Games
Na Jynx Playare, em Recife (PE), a
gestão de pessoas não é muito diferente. Com uma equipe fixa
maior, de 35 funcionários, a empresa tem clima descontraído, mas
com prazos e metas a serem cumpridos. Para se ter uma idéia, a
entrevista com Márcia Souza, responsável pelos Recursos Humanos
da empresa, foi interrompida por uma crise de risos que ela teve
quando se deu conta que Fred Vasconcelos, um dos sócios, estava
entrando no escritório com uma máscara do Brad Pitt.
Mas na hora de falar em trabalho ele é muito sério. “Pressão
existe como em qualquer outro negócio”, afirma Vasconcelos. E
apesar de produzirem jogos, ninguém está lá para brincadeira. A
empresa surgiu em 2000 com um simulador de jogo de futebol. “Mas
por causa da pirataria e da falta de hábito das pessoas em
acessarem jogos pela Internet, tivemos que procurar outra fonte
de receita”, conta.
A alternativa foi investir na venda de jogos para outros fins,
que não apenas o de entretenimento, os chamados advergames,
usados na propaganda, e os “jogos sérios”, usados no treinamento
de profissionais. Hoje o foco é na produção de jogos para
celulares.
Para conquistar novos mercados e manter um crescimento contínuo,
a produtividade dos profissionais de diferentes áreas –
jornalismo, marketing, economia, programação, game e designers
–, quase todos com o curso superior completo e com idade média
de 21 anos, foi determinante.
Algumas medidas diferenciadas foram tomadas para favorecer o
clima de descontração: “permitimos a flexibilização do horário
de trabalho para os que se interessam em fazer mestrado”, conta
Márcia.
Se os programas de mensagem instantânea e os jogos são proibidos
em algumas empresas tradicionais, na Jynx eles são instrumento
de trabalho. “Se alguém está jogando é porque está trabalhando,
conhecendo o produto de um concorrente, por exemplo”, diz
Márcia.
Design: a estrela da economia criativa
Presente nos games, na moda e até na estratégia e nos processos
das indústrias criativas, o design é uma das principais
ferramentas de diferenciação na economia criativa. “O design
ainda é associado a peças esquisitas e caras. Mas muitas
empresas já se deram conta de que se trata de muito mais do que
isso. Ele pode ser a base da companhia, como já acontece”, diz
Guto Índio da Costa.
Para ele, o iPod é um exemplo de como já se utiliza o design
como estratégia de negócio. Nele não há nenhuma tecnologia nova.
Apenas um modo inovador de reunir tecnologias que já existiam,
por meio do design. No Brasil já há exemplos de empresas que
surgiram a partir do design de novos produtos.
A IHouse lançou a Smarthydro (uma banheira totalmente
computadorizada) e outros produtos que pretendem tornar a casa
inteligente, tendo como base a união de diferentes tecnologias
“embaladas” de maneira diferenciada. A Spirit é outra boa
referência. O modelo de ventilador de teto criado no estúdio de
Índio da Costa foi tão diferente do que existia no mercado, que
deu origem a uma empresa nova para vender esse produto.
A visão do designer também fez com que a orla do Rio de Janeiro,
que era freqüentada basicamente durante o dia, ganhasse vida
noturna. Segundo o designer, a idéia de criar galerias
subterrâneas que oferecessem infra-estrutura para cozinhas de
bares e restaurantes soou absurda para alguns no início, mas
criou um novo espaço de convivência, que proporciona muito mais
do que as tradicionais barraquinhas de praia.
“Na verdade, hoje fazemos muito mais do que design: somos uma
consultoria estratégica-criativa. Entendemos o design como uma
ferramenta para criar novos produtos, espaços ou serviços”,
conclui Índio da Costa.
Fonte: Portal
E-Learning
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