O Coach Renato
Ricci vê banalização de palestras motivacionais. O consultor
condena, principalmente, algumas atividades que são aplicadas
nesses treinamentos, como andar em brasas, subir em árvores,
praticar esportes radicais, acampar na selva, entre outras que
acabam expondo os participantes ao ridículo. O nascimento do
boom de treinamentos e palestras motivacionais já comemora
algumas décadas de vida. Durante esse período, entretanto, os
programas foram ganhando adaptações por “especialistas”
criados a cada dia e o resultado é uma banalização desse
segmento.
“É impressionante como executivos e líderes são expostos a
este tipo de programa com objetivos não muito claros e, muitas
vezes, inócuos. Saem de seu ambiente de negócios e mergulham
na profundeza dos programas motivacionais que prometem
resgatar, em algumas horas, tudo o que poderá transformar o
profissional em um super gestor”, diz o coach Renato Ricci.
Para ele, o maior erro nessas palestras motivacionais é que
os organizadores e condutores tratam todos da mesma forma. “É
como se o combustível da motivação fosse o mesmo para cada
pessoa. Eles esquecem que nós não somos do tipo ‘flex’, pois
cada um se utiliza de um tipo específico de combustível cuja
fórmula é mais complexa do que se pensa.”
Cada vez mais ousados, os programas obrigam os participantes a
subir em árvores, praticar esportes radicais, acampar na
selva, dançar e expor-se ao ridículo, tudo em nome da
“esperada mudança”. E acrescenta: “É um típico Big Brother
executivo. Recentemente, participantes de um programa
motivacional acabaram no hospital devido a queimaduras nos pés
provocadas pelo exercício de andar em brasas. Parece que o
poder da mente não funcionou para todos da mesma forma”,
afirma Ricci.
Autor de dez livros e também atuante na área de treinamentos,
Ricci revela o segredo de uma palestra de qualidade. “Os
programas devem focar mais em ganho de energia e condições
favoráveis para satisfação profissional do que em atividades
que supostamente entregam uma falsa motivação a seus
participantes.” Por isso, o consultor acha que as empresas e
seus gestores devem parar de recorrer a esses “programas da
moda” e de buscar a motivação de seus colaboradores. E
enfatiza: “As pessoas não mudam por estarem motivadas. A
motivação só faz com que elas aparentem estar mais felizes. É
pontual e totalmente dependente do cenário vivenciado naquele
momento. Pode mudar a qualquer hora. Não depende de idade. Ela
ataca inesperadamente em todos os momentos e faixas etárias de
nossas vidas.” E conclui:
“Um gestor que volta ao trabalho após certo período de férias
deveria estar super motivado, certo? Não necessariamente.
Dependendo da qualidade de seus dias de ócio, sua motivação
pode estar em alta ou em níveis inferiores aqueles de quando
ele saiu em férias”, exemplifica Ricci.
Fonte: AP-AI
Redação Fundamental (OL)